terça-feira, 21 de março de 2017

LÁGRIMAS SINCERAS



Por muito tempo
Só havia a escuridão
E a vida passava
Rápido demais

E você veio
Invadindo o meu ser
Me dizendo coisas
Difíceis de compreender

Eu viajava alucinada
Minhas fantasias
Meus sonhos
Eram teus


Você se foi
Rápido como veio
Tirando de mim
Tudo o que eu conquistei

Minhas lágrimas sinceras
Chorei por você
Chorei por mim
Chorei por você
Chorei por nós

Simoni Dimilatrov
Série: Aos vinte
São Paulo - 1994

terça-feira, 7 de março de 2017

QUANDO O AMOR NOS LEVA AO INFERNO I



Se você tem vontade
De pular a cerca e achar que ali há um doce nunca antes provado e que, ao experimentar, consequências nenhuma trarão...
Cuidado! O amor pode ser como uma serpente
Que lhe envolverá o corpo inteiro
Satisfazendo a sua gula e luxúria
Ao ponto de chegar a lhe sufocar
Podendo até mesmo, matar!

E se você cede, aos apelos

De fugir para um mundo irreal
E ousar entrar nos meandros de uma perigosa fantasia
Enquanto ela lhe provoca dizendo fazer amor
E você finge fazer também
O orgulho lhe impede de confessar
O crime e as consequências
Diz que é apenas novidade, vontade e desejo
Para obter absolvição da própria falta
Prende-se como a mosca ao cair no mel

Quando vocês, furtivamente, brincam de fazer amor,

E gozam no sentido exato do gozar
E desprezam o sentimento alheio
Que não é porque não sabe que o fio de amor não se rompe
Cuidado! Ao se olharem no espelho,
O feitiço pode virar contra o feiticeiro

E a dama traída, de vítima se torna vilã

O dual da princesa que se torna bruxa
Ao ver a verdade através do espelho negro
E, do pressentimento de tudo o que lhe é feito
O revide faz com que retorne o doloroso
Mentir e trair
E o falso “ninguém é de ninguém”
Da vazão a posse, a gaiola dos loucos
O ressentimento, o revide e as lágrimas

O desejo foi tão grande

Assim como a paixão pelo pedante
Que ela buscou o amor em um clone
Existem muitos iguais a qualquer um de nós
Espreitando, se oferecendo, convidando, fugindo
Mentindo, traindo e magoando

E agora não é preciso, esconder, nem mentir

Esperar pelo que se anseia
De ser e estar bem e feliz
Como tanto se quis
Recriar alguém para si
Caçando na noite, bebendo vinho
Dançando em vitrines reais ou virtuais


Agora você não está mais sozinha

Fazendo desenhos e convites tolos
Para quem não admitiu que gostava também
De romance, homenagens e estima
Nem que fosse para aumentar
O fogo que alimenta o orgulho e a vaidade
E a vingança

E assim fez-se o jogo

Selvagem, louca e romântica
O dia era um sonho de esperança
E a noite a lembrança e o virar insone sob a cama vazia
Despertava o clamor de insistir em um proibido romance
Como é cruel o frescor e a novidade de uma paixão
Contra um velho e moribundo amor

O que mais se quis

Era tocar-te muito, baby
Como tocou-me
Como toquei-te
Ao ponto de que julgasse suficiente
Cobrar-me a presença
Tentar-me com seus licores doces
Entre chicletes de menta

Mas o amor é assim

Nunca se pode substituir
Você pode até tentar
Fechar os olhos e em mim pensar
Mas não sou eu quem está ali
É um outro alguém que você desesperadamente tenta
Curar a ferida feita quando o amor lhe mordeu
Com a magia da caricia, do beijo amado
Dos laços quebrados e tantas vezes remendados
Tornaram imune e frio
O seu coração de loucura e paixão

E agora façamos o que quisermos com este amor

Que guardamos, em silêncio, os restos de suas breves lembranças
Tentação, romance e doçura
Corpos entrelaçados, beleza e frescor
Nunca admitir saudade e vontade
De caçadores de amores

Simoni Dimilatrov

Série: Amores Furtivos
Santos, 07 de março de 2017