quarta-feira, 31 de agosto de 2016

EMBORA...



Eu vou embora
Mas desta vez
Quero partir
Sem demora
Sem memória
Sem saudades

Eu vou embora
Mas desta vez
Quero partir
Sem olhar para traz
Sem lamentar
A dor de deixar

Eu vou embora
Mas desta vez
Por querer ir
E não ir por ter que ceder
Ou aceitar
A vontade alheia
As mudanças repentinas
Os mandos e desmandos
Do capricho ao bel prazer
Que pessoas e o destino impõem

Eu vou embora
Em busca de outros sonhos
Mas desta vez
Quero ter por direito o meu sonhar
E não ter que me adaptar

Eu vou embora
Mas desta vez
Sem medo e arrependimento
Sem passagem de volta
Ser minha única senhora

Quanta coragem!
Quanta responsabilidade!
Quanta ousadia!
Ir embora
Ser livre
Arriscar!

Riscar da minha vida
A vida que não é minha!
Os anos de escravidão
Onde não pertenci a mim

Eu vou embora
Mas desta vez
Vou sem nariz
Para não ter que quebrar a cara
Se eu tiver que cair

Eu vou embora
Mas desta vez
Vou assim
Dura como pedra
Leve como pena
Tal como a folha seca
Levada pelo vento

Eu vou embora
Mas desta vez
Vou assim
Sem culpa
A mim imbuída
Por mim ou por alguém

Eu vou embora
É chegada a hora
Aquele instante derradeiro
Tão meu

A hora é agora
De partir!

Eu vou embora
Mas desta vez
Eu já fui

E já fui tarde!

S. Dimitrov
Santos, 17 de abril de 2016.

A LUA QUE RI (SIMORGH)



                                                                                                  
Do fundo da minha noite
Escura da alma
Ela está lá
No alto encimada
A iluminar a noite
Com seu sorriso amarelo
Sarcástico que ri
Da minha angústia
Da minha falta de paz
Dos sonhos perdidos
Do sono que traz sempre, o mesmo pesadelo
Se repetindo e assombrando
Feito música de um disco riscado
No velho gramofone

Nos dias de luta
Inflamada pela revolta
Que a falta de perspectiva traz
Sobrevivo!

Em meio a tantas injustiças
Ser grato a mão que alimenta
As migalhas ao chão
O silêncio e a solidão
E a falta de adulação
Isolação!


Nos dias de morte
Eu incendeio a própria mente
Para libertar o espírito
Como a fênix recriada ganho os céus
Bem alto no céu
Partindo daqui
Liberdade!


Me reinvento

Subitamente acordo
Banhada em suor
Me deparo comigo mesma
Não foi real
É real!
Era o alado e estranho dom
Simorg!

Meu reflexo na penumbra não reflete mais o velho pesar
De outros tempos
De outras eras
De almas mortas
Mortas-vivas
Que insistem
Volta e meia assombrava
Num debater eterno
Do fundo do poço a superfície
Nadei com força
Acabou!


Nem é a primeira
Ou última vez
Mas sempre mais!
Nascimento
Sangue
Suor
Lágrimas
Vida

Nunca em vão!
Se vão...
E morrem

E voltam
Renascida!

Simone Dimitrov (sob a espreita do coelho da lua)
Santos, 17 de abril de 2016

AO ANJO FEITO DE MEL (MELANIE T. MATHEWS)



Foi uma linda menina-mulher
Doce, seu nome, Mel
A vida lhe foi breve
Cedo, foi morar no céu
Por que choras
Em meu sonho
Doce Mel?
Se todas as noite
Aquela que fora sua mãe
Viaja longe até as estrelas
Para contigo bem estar
A doença só matou a carne
O sofrimento que não merecias
Acabou, já se fazia tarde pesar

Não há mais dor
Onde estás
Nem falsas esperanças
De sobrevida
Então vai e aceita
A vida eterna
Estas liberta!
Anjo de sonho e de amor
É sempre e será a saudade que faz sofrer
Ou é o inconformismo
Por tão jovem perecer?
Esqueça os sonhos deste mundo material
Que não podes viver
Os bons morrem jovens
E para ser bom
É preciso merecer

Esqueça a dor
Que não podes entender

Esqueça o tempo
Ter sido curto

Esqueça a missão
Que pareceu ser difícil e injusta

Há sonhos melhores entre as nuvens
Em que bela entoa um canto
E serena os corações que choram
Enxugue nossas lágrimas
Pois anjos não morrem
A morte da carne é absolvição
Redenção após provação

Vai e voa livre e lindo anjo
Nas nuvens de algodão doce como seu terno olhar
Lindos olhos de Mel
Sempre nos fora dito
Que a vida é eterna
E cumprida as missões
Encerram-se as expiações
São mistérios indecifráveis
Velados e incognoscíveis
Não sendo permitido
Serem conhecidos e compreendidos
Por isso, Mel
Enxugue as nossas lágrimas
E se lhe deram algum poder
Que elas se tornem lírios
Renovação da vida
Com a vinda de três lindos anjinhos

Assim sentindo a leveza
Do som do bater de suas asas
Permanece lindo o seu riso
E a beleza encantadora de menina mulher
Sonho e delicado perfume
Quem quem lhe amou
Jamais esquece
Pois és a lembrança
Que gostamos de ter
Que precisamos manter
Para seguirmos juntos
Neste imenso amor
Que permanecerá
Para sempre, entre nós
Em laços de amor
Anjo de Mel
Não chores mais
Nos abrace e guie
Do alto do sonho maior
Da imortalidade
Assim, para sempre
Juntos em sentimento e pensamento
Olhe por nós
Sorria por nós
Espere por nós.
Que suave e alegre seja cada reencontro
Daqueles que, na Terra,
Um dia amamos.   

Santos, 9 de abril de 2016
Simone Dimitrov