terça-feira, 4 de abril de 2017

Á ESPERA DA SENHORA DA MORTE

Sombras invadem um cérebro
É noite e seus olhos se abrem na escuridão
O som ecoa de um ouvido ao outro
Só há vazio e solidão


Dentro da noite
As horas parecem eternas para ele
Que, sentado em uma fria cadeira,
Vegeta sem mais nada pensar, sentir e saber

Morte em vida
Haveria alguma estranha razão?
Talvez os caprichos das enigmáticas três Senhoras
Que, responsáveis pelo destino,
Fiam invisíveis e insensíveis
O definhar macabro de um ser

Por quê... Por quê?!

Grita mudo um coração
Que bate incessantemente
Sem auto compaixão
Sem poder contar com a divina intervenção

Existe um tempo
Existe um fim
Existe o ter que se cumprir
Uma pena que faz Deus
Parecer frio, injusto e cruel

Em sua mente, a visão do terror de seres das trevas
A tormenta e os sussurros
Sem ter sequer o direito
A pedir por clemência

A vida vegetativa é um severo castigo
É a morte que não morre
Ter que viver sem sentido
Existir sem motivo
Incompreensível
Mas, de alguma forma, válido e justo
Ponto de vista

O corpo vivo e imóvel
O sangue quente pulsando
Feito sela privada de qualquer sentido
A mente destruída compondo uma existência inútil e vã
Ser o peso morto para os seus
Que, unidos por dever, moral e amor
Provam-se em dura penitência

Havia algo naqueles olhos nublados pelo tempo
Que revelavam que ali,
Havia uma alma que fora presa
Por algum motivo desconhecido
Mas, no sobrenatural
Nem todos acreditam

Fora impiedoso e repulsivo em seu passado
Agora havia escolhido ou fora obrigado
A cumprir suas faltas assim

Os olhos arregalados, o semblante monstruoso
Ter que viver da forma mais triste
Pelo mal, do qual, sequer se lembra
Vegetando, ano após ano,
Encarcerado em si mesmo
Privação e expiação

Obsessão
Loucura vibra, pane mental
Delírios e o balbuciar de sons sombrios
Vontade inconsciente que implora sempre

A longa espera nem sempre paciente
Daquela temida senhora
Para ele benevolente

"Se não tive o bom da vida
Que venha o bom da morte!"


Em sua eternidade
Muitos crimes cometeu
Há tempos, se arrependeu
E a mais dura penitência escolheu
Viver, todos os dias, morrendo
Sem sentimentos, sem sensações
Era preciso pagar o quinhão

As sombras vão se dissipando
Os atos, os castigos e as consequências
Lapsos de esparsas lembranças
Terríveis pesadelos

Do que, um dia, fizera àquela mulher...

Sonha sempre o mesmo sonho
Quem lhe assiste lhe vê sorrir
Confia que, naquele pobre e provado ser
Existe, nem que seja, algum resto de consciência e dever
Sorria querido, sorria
Sorria eterna criança
Que o fim de toda prova
Dura, exatamente, o tempo certo
Sonhe e sorria que logo ela chega
Na forma de velada Deusa Negra
A Rainha da Noite Negra
E assim ouvirás, o bater se suas longas asas
Confie em suas sábias e divinas palavras e vai

“Porque morrer não dói, o que dói é viver”!

Simoni Dimilatrov
Dedicado a Deusa celta Morrigan e as Nornes
Santos, 21 de março de 2017


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