quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A UM AMOR BANDIDO: BONNIE E CLYDE



Princesa delicada e de índole violenta
Bonequinha, linda loira espoleta
Queria viver uma vida intensa
Em seus olhos brilhavam duas malignas estrelas vermelhas

Transgressão e inconsequência
Vibração e atração
Assim nascia uma tórrida paixão
Divertida, pervertida e indecente
Um amor psicopata que se aventura e se deleita

Romance, prazer, desvio moral
Planejar, saquear e matar
Com um frio na barriga do perigo do cometimento do crime correr
E depois, num recanto seguro o carro encostar
Para no escuro rir e comemorar
Notas, moedas e joias contar
E nus celebrar
Tudo o que o luxo pode comprar

Armas e rosas
Sexo e pedras preciosas
Beijos e balas de pólvora
Batom vermelho e sangue fatal
Vibravam no temor e no imaginário coletivo
Como a linda e estilosa Bonnie e o sexy e poderoso Clyde

E, como piratas do asfalto, nas ruas e estradas
Eles pilhavam com seu velho Ford negro
Entre cigarros, gim e blues
Assaltos a bancos, estupros e assassinatos

O intrigante fetiche de ser um casal anormal
O orgulho de serem, famosamente, imoral
Formaram família, na verdade quadrilha
Eram a mãe e o pai de delinquentes
Sua trupe atacavam e matavam gente decente
Um bizarro estilo de vida bandida

Sangue e morte
Fama e glamour
Vidas ceifadas sem lamentos ou crise de consciência
Eram como troféus conquistados pelos seus torpes feitos
Ousadia e escárnio pelo sofrimento alheio
O registro fotográfico da soberba da crueldade
Debochava e desafiava todos os limites da barbaridade

Clyde, o gangster campeão, generosamente presenteava
A sua pequena e delicada amada Bonnie Paker
Com revolveres prateados no qual registrava
Declarações de amor eterno e devotado
Não era apenas o vil metal que os movia
Mas o tesão e o deleite que a “vida loka” trazia

E pouco importavam quão procurados fossem
Fizeram de seus imbatíveis Fords V8 rabecões mortais
O dar com o “pé na tábua” excitava-os ainda mais
Emoção, deliciosamente vivida, pelos amantes
Capaz de sentir mais êxtase em fuga
Do que quando se entregam a carícias mais libidinosa

Bonnie e Clyde
Vivos ou mortos
Cabeças a prêmio, motivo de um orgulho estranho e extremo
As recompensas de uma vida de fama e transgressão
Para eles não tinha preço

Não temiam o trono que ocupariam
Se capturados, sentenciados e executados fossem
A cadeira elétrica era um destino improvável
Mas ainda assim um “grand finale” dignos de Rei e Rainha
Serem executados lado a lado
Com ampla cobertura internacional e muitas fotos
Como num filme antigo de bandido e polícia
Qual seria o desfecho do mais ousado
Amor bandido da história?

No fundo sabiam, tão certo como a vida e a morte
Que corriam insanamente para um trágico destino
Do risco dos delitos que sempre cometiam
Das fugas repletas de adrenalina
Das quais nunca tiveram medo
Era sempre tudo ou nada
Era sempre muito intenso
Tal como o amor, o poder e o dinheiro

E, numa tranquila manhã de sol
O dia da graça chegou
Na estrada, com seu Ford céu de baunilha
Felizes seguiam a vida
Um planejado motim disfarçado de obra do acaso
Os fizeram parar para um viajante ajudar

Uma suave brisa, de repente soprou,
Uma revoada de pássaros o massacre avisou
Bonnie e Clyde foram surpreendidos
Por um metralhar breve e intenso
Seus belos e jovens corpos dançaram por um eterno momento
Ao som e a dor, a foice da morte brilhou
Cravejados de balas

E assim, o casal violentamente sucumbiu
E seu sangue maldito jorrou e se uniu
Sem chance de defesa ou de clemência
Tiveram um fim inevitável e fatal
E imortalizaram o seu amor bandido e real.


Simoni Dimilatrov
“Grandes Amores da História Universal”
Santos, 25 de janeiro de 2017.





 

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