sábado, 21 de janeiro de 2017

À UM AMOR DEVOTADO AO EXTREMO SACRIFÍCIO


(à estimada memória de Jeanne Hébuterne e Amadeo Modigliani)

Eu sei como encontrar você
Eu sei onde você está
Eu ouço sua voz me chamar
Enquanto o vento está a soprar
Fazendo para longe voar
O seu velho e tão amado chapéu
A mais valiosa relíquia que me destes ao conhecer-me
E que me coroou como sua amada mulher
Ao me proteger da fina chuva que caia
No dia em que o nosso amor nascia

E, de todas as mazelas da difícil sobrevida
Que eram todas esquecidas
Pois o seu imenso e alegre amor
Era toda a vida e alimento
Que me preenchia da mais intensa felicidade

O toque de sua pele
O gosto doce do amor de seus beijos
O calor fogoso de seu abraço
O enlace que me extasiava
Enchia-me de vida e matava todas as minhas fomes de viver
O som do seu riso, a beleza do seu sorriso
Encanto, paixão e loucura
E meus olhos sorriam
De amor, de todo o meu amor, por você
Lhe dei minh’alma

Agora a chuva que cai
Se mistura aos tons mais tristes de azul
O azul tão límpido dos meus olhos
Nublados como o céu das manhãs outonais de Nice
Foram transfigurados em profunda escuridão
Desde que a morte levou-te de mim
E me condenou a vagar cega e transtornada
A procura de você

E assim é,
O desespero e a imensa dor
A solidão que me convida a ti me juntar  
Desde que fora arrebatado para o outro lado  
Pela impiedosa dama da morte
Pelas ruas sombrias,
Perambulo sozinha
Minha mente perdida
Nada tem mais sentido

Não pode o destino obrigar
A cumprir com o dever
A ser forte e moral
Lutar para seguir sem você
E cuidar dos frutos do nosso amor
Que este esquálido corpo
Ainda insiste em manter
Mas que a imensa dor
Me faz esquecer
Que ainda há vida, amor e esperança
Que, apesar de toda esta má sorte,
O seu amor vive dentro de mim
Os nossos corações se tornaram outro coração
Mas esta amaldiçoada alma
Já não tem mais coração

Eu sei como procurar você
Eu quero encontrar você
Eu sei onde você está
Eu ouço sua voz me chamar
Eu sei que me esperas
Eu estou subindo as escadarias para o céu
Para poder voar
Tão rápido quanto a urgência de meu amor anseia
Irei a ti, para sempre me juntar
Não precisará mais esperar, triste e sozinho
Será rápido e fatal
Meu amor...


II

Em assim como o velho chapéu
Que o vento gélido como o hálito da morte levou
Mostrou a ela a direção
Do país para o qual ele fora levado
E onde sempre é verão

Da janela, ela se jogou
Para reencontrar
O maior dos amores
O amor que está além da escolha da vida e na morte

III



E assim, ela escolheu
Cumprir a promessa de estar com ele,
Na alegria e na tristeza,
Na saúde e na doença,
Na riqueza e na pobreza,

Porque amaram-se como um só corpo, coração e alma
Amaram-se mais que a tudo neste mundo
Amaram-se mais que a si mesmos
Respeitaram o direito de manter-se juntos em amor
De permanecerem unidos pela eternidade
E ela em um ato extremo de sacrifício
Decidiu terminar com a sua vida
Para na morte reencontrar o seu grande amor
Foram leais, foram fiéis ao seu Amor
Em todos os dias de suas vidas
Em todos os dias de sua morte

Quem pode julgar aqueles que se amaram
Ao ponto de se tornarem um?
Quem pode julgar, um homem que conheceu de verdade
A alma da mulher amada lenta e intensamente?
Em que sua única riqueza eram sonhos
Repletos de estrelas inatingíveis
Retratos de uma incomensurável paixão
Estranho seria se não se amassem além da morte
Estranho seria se ela não fechasse os olhos para a vida
E, em seu mortal voo de desesperado amor
Finalmente, encontra-se a chave que a levasse ao caminho
Onde, o sol da manhã brilha para os amantes na soleira de sua porta
E, de braços abertos, ele a esperava
Para todo o sempre.   


Simoni Dimilatrov
Santos, 21 de janeiro de 2017

"Grandes Amores da História Universal"





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