quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A ESTRADA DE TIJOLOS AMARELOS



A música da infância ecoa...
Noite sem lua, em meio a luz e trevas
Assim como se cria, se destrói
Assim como se tenta a fuga
Em busca da cura
Para tudo o que não mais serve e dói

Sim, temos a chave
E o direito de escolha ao destino
Proteção nunca deveria ser prisão
Temos o direito a escolha e ao poder dizer não

O forte procura o fraco
Para se sentir onipotente
E o fraco confia no forte
Por não acreditar em si mesmo

Sonhos mortos
Existências reprimidas
Noites tão compridas
Curta é só a vida

O último trem partirá
O maquinista é o estranho obscuro
Os passageiros, sem rostos, seguem mudos
O rumo ao desconhecido

Paisagens e nevoeiros, árvores retorcidas
Estações desconhecidas e sombrias
Dentro do coração, apenas uma intuição
De repente, um outro dia, amanhecerá
Visões de paragens selvagens, flores e lagos cristalinos
Estações mais felizes, mais prósperas, meu destino
Se torna real

Um novo sonho, uma nova chance, um lugar ao sol conquistar
Pela estrada de tijolos amarelos sigo alegre a dançar
Uma nova mentalidade, sem depressão, traumas e programações
Um coração virgem, sem mágoas, feliz, pronto para amar
A coragem e a vontade para obras realizar
Nos pés, a sorte a brilhar
Ter o direito de seguir em frente, de subir os degraus da escada de esmeraldas
Calçando lindos sapatos de mágicos rubis, esculpidos pela sorte que me sorriu
E, deixar a trilha desta estrada de ouro que nos faz tolos
Voltar ao lar, com sentimento de dever cumprido e destino realizado.

“Não há perigo que a intrépida coragem não consiga conquistar”.

Simone Dimitrov
Santos, 07 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

DESABAFO SOBRE O SISTEMA, DEUS E TODO MUNDO



“Quando a vida é um martírio, o suicídio é um dever”.
Vargas Lima

Sonhos destruídos
Planos que não deram certo
Estradas, encruzilhadas, desvios
Montanhas intransponíveis
Caminho das pedras, jogar o jogo, remover as pedras
E ainda assim não ser o suficiente
Ser apenas carta no baralho, uma coisa, um quebra-galho
Sem direito a escolha e ao não
Sermos disponíveis mesmo dilacerado pelo injusto e desigual

Viver a mercê da caridade dos que estão no topo do poder
Que sempre relegam, quem está abaixo, a um plano inferior
Sempre esquecidos e preteridos
Nenhum norte que conceda um sonho passível de realizar
Para se doar, batalhar, ter a chance de alcançar um objetivo

 
O que temos são somente esmolas
A ilusão de uma proteção que torna o rabo preso
Um acúmulo de mágoas que fatalmente atingirá o seu ápice
Explodindo no peito, insatisfação, descontrole e desespero
Pelo triste constatar de que não existe futuro, mesmo tendo-se acreditado nisso
Que não existe um lugar ao sol
Que não lhe permitem sequer buscá-lo

Estudo, esforço e mérito
Talento mal aproveitado, tanto suor para quê?
Iniciativa tida como petulância
Mal quisto em grupetos aristocráticos
Que não aceita absorver a ralé.

Rompantes passionais em ambientes corporativos
Incompatíveis com a lei, com o propósito e nobre foco no trabalho
Mandos e desmandos ao bel prazer, só pela imposição de ser
Num retrocesso absurdo que remete aos tempos antigos
De uma nobreza soberba que precisa da adulação de uma corte

Os rebeldes quando não destruídos, são exilado para viver no limbo do ostracismo
Ou ás vezes presos em gaiolas que impedem o voo e a evolução
Punição para tornar manso o louco que é culpado sem razão de ser
Como marionetes controlados, obedientes, vivendo uma vida de boi
Acatando o deixar-se emburrecer para no sistema sobreviver
Silenciando a vontade, a voz e até não reagindo a ofensa injusta

Eis o sistema pautado na degradação do ser humano
Que numa metáfora torna a águia em aprender a viver como galinha
Prendidas em um galinheiro privadas de asas que poderiam alçar grande voos
Que são frequentemente avaliadas, cortadas e desmotivadas
A serem condicionadas para serem produtivas num ciclo sem fim de ciscar, cacarejar, comer, botar ovo e ser abatida.
Asas de águias amputadas, engaioladas, aprendendo a ciscar como galinhas
Acreditando serem de fato galinhas devotadas, ciscadoras de migalhas, afagadas ou chutadas pelos seus tratadores.
Esquecendo-se completamente de sua soberania, de que nasceu águia e que não é galinha.
E de que o céu é o limite, não o pardieiro.

Carta fora do baralho é cara fora do jogo
Pessoas não são cartas e nem coringas
Pessoas tem desejos, inclinações e vontades
Pessoas tem histórico de serem vítimas de violência e maldade
Quem bem vive não entende a dor daquele que sobrevive

E Deus, aquela serpente cega e surda que não nos ouve
Que nos deixa desamparados a contar com a imprevisível sorte
Que usa como desculpa, não interferir no livre-arbítrio
Aprisionou o espírito na gaiola de um corpo
Inventou a hierarquia onde Ele está no topo
E abomina e pune quem decide se desprender
Da vida que se tornou um martírio
Considera o suicídio uma afronta
Não aceita que participemos do seu dever de matar.

Deus é mau e criou um mundo falho e ruim.

Simone Dimitrov
Santos, 06 de setembro de 2016.

sábado, 3 de setembro de 2016

ALEXANDRITE*



Sob a rara lua azul
Aquela noite eu conheci
A beleza que a luz do amor
Acende em dois olhares que se cruzam
E se fixam, congelando um momento
Memorável e perfeito

Não demoraria que, atraídos como negativo e positivo,
Você haveria de completar e preencher o que havia de incompleto

Lado a lado, costumávamos deitar
Na escura estrada de terra para observar
O céu ideal de uma noite
Memorável e perfeita
Repleto de estrelas

Nestas noites estreladas, durante toda a madrugada
Com paixão e crueldade me beijavas
Tornando um só coração
A mais bela das joias
Alexandrite

O tom do seu amor
Variava conforme sua luz e trevas interiores
Que assombravam a sua alma em luxúria e recato
Ora quente como o vermelho intenso tal fogo de ardente paixão
Ora frio como o verde obscuro de seus olhos
Que mostravam inquietude e indecisão

E, após aquela noite perfeita, terna e eterna
Em que vi, pela última vez, milhares de pirilampos
A brilharem, em sua casa de campo, como pequeninas esmeraldas
Tendo no céu, a testemunha da luz de uma rara e imensa lua
Eu vago, sozinha na esperança de reviver aquela cena

Para sempre assim, seu amor fugidio permanece como triste final
E, em noites de lua, se torna sangrento e mortal
A magoar, eternamente, o meu peito transformado em pedra cinza
Que, de viver sem o seu amor, tornou triste a vida
E segue, em sobrevida, como lembrança e ferida,
Dolorosamente, imortal.

Simone Dimitrov
Santos, 03 de setembro de 2016.

*Alexandrite ou alexandrita é uma pedra preciosa muito apreciada e de grande valor. Muda sua cor de acordo com a luz: à luz natural é geralmente verde-oliva, mas à luz incandescente, de lâmpadas de filamento e fogo, assume cor vermelha. Quando lapidadas em cabochão refletem uma luz prateada e ondulante. É uma das pedras mais caras, sendo encontrada nos Montes Urais na Rússia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PODER DE “PISTIA”* “FIDES”**



Quando ninguém parecer compreender
Quando tudo na vida for tristeza e solidão
Quando o mundo se tornar um lugar hostil
E todos os planos e sonhos parecem que vão pela contramão
Lembre-se que nem sempre o tempo é bom
É que nem tudo na vida, é primavera ou verão

Quando tudo parecer morto e frio
Como as folhas secas de outono
E o vento que sopra forte
Levar nossos sonhos e mudar a nossa sorte
Lembre-se que o inverno
Não dura para sempre

Quando a esperança se tornar fatalidade
De um eterno esperar que não se realiza
Que haja uma centelha de força e desejo ardente
Capaz de promover a descoberta de um poder
Capaz de fazer tudo melhor
Um poder que poucos o tem desperto
Que também é conhecido como Fé

Fé, poder ausente de razão
Despertar de um sentimento em conexão
Que restaura a confiança em nossa determinação
De tornar o impossível, real

Na boca que sussurra uma prece graciosa
E sabe que o verbo são palavras de poder
Torna grandioso todo homem que em si descobre
O segredo da fé que, ao se transformar em um dom,
Torna o milagre benesse e realidade.

Simone Dimitrov
Santos, 01 de setembro de 2016

*”Pistia”: palavra originária do grego que indica a noção de acreditar
**“Fides”: palavra originária do latim, que remete para uma atitude de fidelidade.