“Quando a vida é um
martírio, o suicídio é um dever”.
Vargas Lima
Vargas Lima
Sonhos destruídos
Planos que não deram certo
Estradas, encruzilhadas, desvios
Montanhas intransponíveis
Caminho das pedras, jogar o jogo, remover as pedras
E ainda assim não ser o suficiente
Ser apenas carta no baralho, uma coisa, um quebra-galho
Sem direito a escolha e ao não
Sermos disponíveis mesmo dilacerado pelo injusto e desigual
Viver a mercê da caridade dos que estão no topo do poder
Que sempre relegam, quem está abaixo, a um plano inferior
Sempre esquecidos e preteridos
Nenhum norte que conceda um sonho passível de realizar
Para se doar, batalhar, ter a chance de alcançar um objetivo
Estradas, encruzilhadas, desvios
Montanhas intransponíveis
Caminho das pedras, jogar o jogo, remover as pedras
E ainda assim não ser o suficiente
Ser apenas carta no baralho, uma coisa, um quebra-galho
Sem direito a escolha e ao não
Sermos disponíveis mesmo dilacerado pelo injusto e desigual
Viver a mercê da caridade dos que estão no topo do poder
Que sempre relegam, quem está abaixo, a um plano inferior
Sempre esquecidos e preteridos
Nenhum norte que conceda um sonho passível de realizar
Para se doar, batalhar, ter a chance de alcançar um objetivo
O que temos são somente esmolas
A ilusão de uma proteção que torna o rabo preso
Um acúmulo de mágoas que fatalmente atingirá o seu ápice
Explodindo no peito, insatisfação, descontrole e desespero
Pelo triste constatar de que não existe futuro, mesmo tendo-se acreditado nisso
Que não existe um lugar ao sol
Que não lhe permitem sequer buscá-lo
Estudo, esforço e mérito
Talento mal aproveitado, tanto suor para quê?
Iniciativa tida como petulância
Mal quisto em grupetos aristocráticos
Que não aceita absorver a ralé.
Rompantes passionais em ambientes corporativos
Incompatíveis com a lei, com o propósito e nobre foco no trabalho
Mandos e desmandos ao bel prazer, só pela imposição de ser
Num retrocesso absurdo que remete aos tempos antigos
De uma nobreza soberba que precisa da adulação de uma corte
Os rebeldes quando não destruídos, são exilado para viver no limbo do ostracismo
Ou ás vezes presos em gaiolas que impedem o voo e a evolução
Punição para tornar manso o louco que é culpado sem razão de ser
Como marionetes controlados, obedientes, vivendo uma vida de boi
Acatando o deixar-se emburrecer para no sistema sobreviver
Silenciando a vontade, a voz e até não reagindo a ofensa injusta
Eis o sistema pautado na degradação do ser humano
Que numa metáfora torna a águia em aprender a viver como galinha
Prendidas em um galinheiro privadas de asas que poderiam alçar grande voos
Que são frequentemente avaliadas, cortadas e desmotivadas
A serem condicionadas para serem produtivas num ciclo sem fim de ciscar, cacarejar, comer, botar ovo e ser abatida.
Asas de águias amputadas, engaioladas, aprendendo a ciscar como galinhas
Acreditando serem de fato galinhas devotadas, ciscadoras de migalhas, afagadas ou chutadas pelos seus tratadores.
Esquecendo-se completamente de sua soberania, de que nasceu águia e que não é galinha.
E de que o céu é o limite, não o pardieiro.
Carta fora do baralho é cara fora do jogo
Pessoas não são cartas e nem coringas
Pessoas tem desejos, inclinações e vontades
Pessoas tem histórico de serem vítimas de violência e maldade
Quem bem vive não entende a dor daquele que sobrevive
E Deus, aquela serpente cega e surda que não nos ouve
Que nos deixa desamparados a contar com a imprevisível sorte
Que usa como desculpa, não interferir no livre-arbítrio
Aprisionou o espírito na gaiola de um corpo
Inventou a hierarquia onde Ele está no topo
E abomina e pune quem decide se desprender
Da vida que se tornou um martírio
Considera o suicídio uma afronta
Não aceita que participemos do seu dever de matar.
Deus é mau e criou um mundo falho e ruim.
Simone Dimitrov
Santos, 06 de setembro de 2016.
A ilusão de uma proteção que torna o rabo preso
Um acúmulo de mágoas que fatalmente atingirá o seu ápice
Explodindo no peito, insatisfação, descontrole e desespero
Pelo triste constatar de que não existe futuro, mesmo tendo-se acreditado nisso
Que não existe um lugar ao sol
Que não lhe permitem sequer buscá-lo
Estudo, esforço e mérito
Talento mal aproveitado, tanto suor para quê?
Iniciativa tida como petulância
Mal quisto em grupetos aristocráticos
Que não aceita absorver a ralé.
Rompantes passionais em ambientes corporativos
Incompatíveis com a lei, com o propósito e nobre foco no trabalho
Mandos e desmandos ao bel prazer, só pela imposição de ser
Num retrocesso absurdo que remete aos tempos antigos
De uma nobreza soberba que precisa da adulação de uma corte
Os rebeldes quando não destruídos, são exilado para viver no limbo do ostracismo
Ou ás vezes presos em gaiolas que impedem o voo e a evolução
Punição para tornar manso o louco que é culpado sem razão de ser
Como marionetes controlados, obedientes, vivendo uma vida de boi
Acatando o deixar-se emburrecer para no sistema sobreviver
Silenciando a vontade, a voz e até não reagindo a ofensa injusta
Eis o sistema pautado na degradação do ser humano
Que numa metáfora torna a águia em aprender a viver como galinha
Prendidas em um galinheiro privadas de asas que poderiam alçar grande voos
Que são frequentemente avaliadas, cortadas e desmotivadas
A serem condicionadas para serem produtivas num ciclo sem fim de ciscar, cacarejar, comer, botar ovo e ser abatida.
Asas de águias amputadas, engaioladas, aprendendo a ciscar como galinhas
Acreditando serem de fato galinhas devotadas, ciscadoras de migalhas, afagadas ou chutadas pelos seus tratadores.
Esquecendo-se completamente de sua soberania, de que nasceu águia e que não é galinha.
E de que o céu é o limite, não o pardieiro.
Carta fora do baralho é cara fora do jogo
Pessoas não são cartas e nem coringas
Pessoas tem desejos, inclinações e vontades
Pessoas tem histórico de serem vítimas de violência e maldade
Quem bem vive não entende a dor daquele que sobrevive
E Deus, aquela serpente cega e surda que não nos ouve
Que nos deixa desamparados a contar com a imprevisível sorte
Que usa como desculpa, não interferir no livre-arbítrio
Aprisionou o espírito na gaiola de um corpo
Inventou a hierarquia onde Ele está no topo
E abomina e pune quem decide se desprender
Da vida que se tornou um martírio
Considera o suicídio uma afronta
Não aceita que participemos do seu dever de matar.
Deus é mau e criou um mundo falho e ruim.
Simone Dimitrov
Santos, 06 de setembro de 2016.

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