terça-feira, 27 de setembro de 2016

A GUARDIÃ DOS LARES

Quem é essa gente esquisita, que eu nunca conheci
Que possuem a mesma carne, sangue, laços, sobrenomes
Que, ao sair do útero, ao ver a luz
Eu hoje sei porque chorei

E nesta sagrada vida,
Eu sigo confusa, perdida, isolada
Como se eu fosse totalmente estranha
Valores, moral, pensamentos, sentimentos e proceder diferentes
Uma vivência de solidão e obrigação

Um lado:
Segredos guardados, ódios, separações
Intrigas, mentiras, traições, vítimas
Soberba, riqueza, desprezo, aparências
Violência, agressividade, depressão, fuga
Vicio, jogo, escândalos, silêncio

Que nem um lado e nem o outro compensou

O outro:
Fanatismo, humildade, pobreza, exploração
Intrigas, alcoolismo, inépcia, mentiras, traições
Desprezo, maus exemplos, doenças, vítimas
Irresponsabilidade, egoísmo, incapacidade
Luxúria, ausência, abuso da liberdade, vergonha, omissão

Dessa gente desconhecida
Quem nasceu do amor?
Quem nasceu de algo que não se conhecesse?
Fatalmente daria nisso,
Em dor, em tristeza, em lamentações
Pai!

A Guardiã do lar, das senhoras e dos senhores que se uniram por amor
Do dom sagrado de criar
Do alimento que não se teve pela maldição de não se ter ou querer-se dar-se
O sagrado seio farto de leite e amor para alimentar
Mãe!

A Guardiã da ancestralidade, está enfurecida
Com seus filhos, com suas gerações
Após séculos de pecados e erros
Se faz o dever impreterível de convocar e reunir,
Almas malcriadas, insensatas, dispersas,
Desprovidas de amor, compaixão, união e respeito
Famílias! Todos os seus Sobrenomes!
Se preciso for, serão castigados com rigor
Fazendo-as despertar, mostrando-lhes os erros e o caminho
E assim será, até que a chama do ódio se apague
E renasça a chama verdadeira do amor familiar

A Guardiã das lágrimas das famílias desfeitas,
Dos que foram perdidos, banidos, esquecidos, desprezados e preteridos
Está a espera no entremundos
Entre a vida e a morte, no domínio dos Lares
Entre a carne, o sangue e o nomes das famílias que não evoluíram
Que se desuniram, que deixaram-se de amar, que são verdadeiros estranhos
Infelizes, desprovidos de compaixão, misericórdia, justiça

Séculos de vidas que hoje parecem, no conjunto da obra
Como um complexo quebra-cabeças com peças faltantes
Vidas vividas em vão, em forma de nada obra feia e inacabada

Pois ser bom não é ter bens
Nem ter esqueletos no armário ou pó
Fantasmas e assombrações abandonadas em um túmulo desonradas pela memória

Deve a Guardiã estancar as suas lágrimas
E reunir e reconciliar os irreconciliáveis
Ou dar a escolha de seguirem outros rumos se assim o quiserem
Reunidos, pela primeira vez em muitos séculos
Do pó, que, numa rajada violenta do vento
Acumulado pelas noites seculares e silenciosas de sofrimento
Cegaram-na e a fazem sofrer e chorar

E...
Quem está no inferno, seja convocado
Quem está no purgatório, seja convocado
Quem está no limbo, seja convocado
Quem está no paraíso, seja convocado
Quem está na Terra, em carne, seja convocado

E o que não se aprendeu com a experiência da vida
Seja repreendido e aprenda a amar

Possa ser todos os pactos, maldições e pragas encerrados
Possa haver o perdão e a reconciliação
Possam ser todos absolvidos e livres para seguirem
Juntos ou separados, quem assim escolher
Para seguir em amor e paz.

Simone Dimitrov
Santos, 27 de setembro de 2016.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

REQUIEM AETERNAM



“REQUIEM aeternam dona ei (eis), Domine, et lux perpetua luceat ei (eis). Requiescat (-ant) in pace. Amen”.
“Senhor, concede-lhes o eterno descanso”

Requiem aeternam a família que nunca de fato existiu
Veio do longínquo passado, em carne e sangue
Sem amor, sem união, sem alma
Que o passar dos anos desuniu
Porque o amor não era o mais importante
E sim o ódio, o dinheiro e a soberba

Requiem aeternam aos estranhos familiares desprezíveis
Que souberam muito bem como juntar bens e dinheiro
Mas que não souberam compartilhar amor, alegria e a vida

Requiem aeternam a família,
Aos que se encontram no mundo dos mortos
E que choram lágrimas eternas de desgosto e desunião
Pela carne morta, o sangue espalhado pelo mundo, o abandono
Todos, os velhos, os adultos, as crianças sacrificadas, as crianças que ainda nem nascerão
Estão todos mortos, porque somente do amor se perpetua a família espiritual.
O que é a carne fedorenta, os bens que se tornam ruínas e o dinheiro que o vento leva?
Choram os entes que se foram e os entes periféricos, rejeitados,  renegados, esquecidos, sequer conhecidos, o silêncio do outro lado da linha.

Requiem aeternam a família (Rodrigues, Rocha, Deodato)
Perdidos no mesmo mundo
Eu, responsável espiritual por vocês
Nos livre deste karma.


Simone Dimitrov
Santos, 26 de setembro de 2016.


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Repouso (Mozart)




Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine
Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião
E a ti rendemos homenagens em Jerusalém
Ouve a minha oração
Diante de Ti toda carne comparecerá
Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine


2. Senhor, tem piedade
Senhor, tem piedade. Cristo, tem piedade. Senhor, tem piedade


3. Dia de ira
Dia de ira
Neste dia
Os séculos se desfarão em cinzas
Assim testificam Davi e Sibila
Quanto temor haverá então
Quando o Juiz vier
Para julgar com rigor todas as coisas

4. Trombeta poderosa
A trombeta poderosa espalha seu som
Pela região dos sepulcros
Para juntar a todos diante do trono
A morte e a natureza se espantarão
Com as criaturas que ressurgem
Para responderem ao juízo
Um livro será trazido
No qual tudo está contido
Pelo qual o mundo será julgado
Logo que o juiz se assente
Tudo o que está oculto, aparecerá
Nada ficará impune
O que eu, miserável, poderei dizer?
A que patrono recorrerei
Quando apenas o justo estará seguro?



5. Rei tremendo
Ó Rei, de tremenda majestade
Que ao salvar, salva gratuitamente
Salva a mim, ó fonte de piedade



6. Lembra-te
Lembra-te, ó Jesus piedoso
Que fui a causa de tua peregrinação, não me perca naquele dia
Procurando-me, ficaste exausto me redimiste morrendo na cruz
Que tanto trabalho não seja em vão
Juiz de justo castigo
Dai-me o dom da remissão diante do dia da razão
Choro e gemo como um réu
A culpa enrubesce meu semblante
A este suplicante poupai, ó Deus
Tu, que absolveste a Maria
E ao ladrão ouviste a mim também deste esperança
Minhas preces não são dignas sê bondoso e faça misericórdia
Que eu não queime no fogo eterno
Dai-me lugar entre as ovelhas
E afastai-me dos bodes que eu me assente à Tua destra



7. Condenados
Condenados malditos
Lançados às chamas devoradoras
Chama-me junto aos benditos
Oro, suplicante e prostrado o coração contrito
Quase em cinzas Tomai conta do meu fim


8. Dia de lágrimas
Dia de lágrimas será aquele
No qual os ressurgidos das cinzas serão julgados como réus
A este poupa, ó Deus, piedoso Senhor Jesus
Dá-lhes repouso. Amém


9. Senhor Jesus Cristo
Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória
Liberta as almas de todos os que morreram fiéis
Das penas do inferno e do lago profundo
Libertai-as da boca do leão
Que não sejam absorvidas no inferno, nem caiam na escuridão
Mas que o santo arcanjo Miguel
As introduza na luz santa
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência


10. Sacrifício
Sacrifícios e preces a Ti, Senhor, oferecemos com louvores
Recebe-os em favor daquelas almas
Das quais hoje nos lembramos
Fazei-as, Senhor, da morte passarem para a vida
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência


11. Santo
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos
Cheios estão os céus e a terra da Tua glória
Hosana nas alturas


12. Bendito
Bendito o que vem em nome do Senhor
Hosana nas alturas


13. Cordeiro de Deus
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
Dai-lhes o repouso
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
Dai-lhes o repouso eterno
Que a luz eterna os ilumine, Senhor
Com os teus santos pela eternidade: Pois és piedoso
Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine

Olivia de Jesus Rodrigues

domingo, 25 de setembro de 2016

ADEUS PRIMEIRO AMOR



(dezembro de 1990)


Desde que o casal do ano
Havia repentinamente terminado
Ela, chorando pelos cantos
Quase morrendo da dor do fim
Ele namorando a filha do chefe, feliz

Em pé, na porta da Woodstock
Indecisão em ir ou não
Ela havia sido convidada para a festa
Não por amor ou consideração
Mas para devolver o disco favorito dele
Interesse, impiedade e ressentimento
Falta de consideração e de coração

Na entrada, todos reunidos
Ele agarrado ao seu novo amor/negócio
A festa começou, com um chorando
E outros se beijando num canto escondido

Era inacreditável, a maldade e a frieza
A humilhação e a falta de auto-estima
Que, com o consumo de muita bebida
Foi fervendo entre lágrimas
Que ela foi se lançar na pista
Para dançar e esquecer a dor e o coração partido

Decisão errada, devia ter ido embora dali
Mas, encheu-se de força, lavou o rosto borrado no banheiro
Tentou superar, fingir, tentou sorrir e foi dançar

Na pista, entre fumaça e luz neon
Encontrou aquele que era o seu amor
Beijando, bêbado, o novo amor/negócio

Tendo suportado todas as cenas da noite horrendas
Enfurecida, tomou uma intempestiva iniciativa
Foi, ao encontro do casal, que se devorava em beijos
Interrompendo com dois toques no ombro dele
Que, ao fita-la olhou-a transtornado
Ao mesmo tempo em que ela desferia uma bofetada em sua cara

Covarde, ele reagiu rápido
Retribuindo, com mão pesada, a bofetada
Humilhando e agredindo a ex-amada
Que havia convidado por interesse e crueldade

E daquele inferno, do amor que se tornara um monstro
Eu fugi, em prantos

Subindo a rua
Sozinha na madrugada
Envolta num sono embriagado
Pesadelo, andando sem rumo
Chorando e sangrando
A chuva começou a cair

E ali eu que estava perdida de sonhos de amor
Duramente, compreendi
Que aquilo não era para mim
E que eu tinha que cuidar
De que nunca um amor assim
Aconteceria de novo

E não foi por mim que lamentei
Foi por alguém que fez do amor, um negócio
Vendendo-se barato em corpo e alma
Em uma sociedade consolidada
Aprovada pelas duas famílias e economicamente bem sucedida

E naquela noite
Você deixou ir embora
O amor verdadeiro
Olhou para o meu rosto vermelho de dor
E negro pela maquiagem escorrida
Não disse adeus para mim
Mas disse adeus para o amor verdadeiro

Naquela noite que ficou, para sempre na memória
Fim de cena, fim de história
Não foi por mim que temi
Eu temi por você
Pois o que você perdeu
Jamais se reencontra.  


Simone Dimitrov
Santos, 25 de setembro de 2016