(dezembro de 1990)
Desde que o casal do ano
Havia repentinamente terminado
Ela, chorando pelos cantos
Quase morrendo da dor do fim
Ele namorando a filha do chefe, feliz
Em pé, na porta da Woodstock
Indecisão em ir ou não
Ela havia sido convidada para a festa
Não por amor ou consideração
Mas para devolver o disco favorito dele
Interesse, impiedade e ressentimento
Falta de consideração e de coração
Na entrada, todos reunidos
Ele agarrado ao seu novo amor/negócio
A festa começou, com um chorando
E outros se beijando num canto escondido
Era inacreditável, a maldade e a frieza
A humilhação e a falta de auto-estima
Que, com o consumo de muita bebida
Foi fervendo entre lágrimas
Que ela foi se lançar na pista
Para dançar e esquecer a dor e o coração partido
Decisão errada, devia ter ido embora dali
Mas, encheu-se de força, lavou o rosto borrado no banheiro
Tentou superar, fingir, tentou sorrir e foi dançar
Na pista, entre fumaça e luz neon
Encontrou aquele que era o seu amor
Beijando, bêbado, o novo amor/negócio
Tendo suportado todas as cenas da noite horrendas
Enfurecida, tomou uma intempestiva iniciativa
Foi, ao encontro do casal, que se devorava em beijos
Interrompendo com dois toques no ombro dele
Que, ao fita-la olhou-a transtornado
Ao mesmo tempo em que ela desferia uma bofetada em sua cara
Covarde, ele reagiu rápido
Retribuindo, com mão pesada, a bofetada
Humilhando e agredindo a ex-amada
Que havia convidado por interesse e crueldade
E daquele inferno, do amor que se tornara um monstro
Eu fugi, em prantos
Subindo a rua
Sozinha na madrugada
Envolta num sono embriagado
Pesadelo, andando sem rumo
Chorando e sangrando
A chuva começou a cair
E ali eu que estava perdida de sonhos de amor
Duramente, compreendi
Que aquilo não era para mim
E que eu tinha que cuidar
De que nunca um amor assim
Aconteceria de novo
E não foi por mim que lamentei
Foi por alguém que fez do amor, um negócio
Vendendo-se barato em corpo e alma
Em uma sociedade consolidada
Aprovada pelas duas famílias e economicamente bem sucedida
E naquela noite
Você deixou ir embora
O amor verdadeiro
Olhou para o meu rosto vermelho de dor
E negro pela maquiagem escorrida
Não disse adeus para mim
Mas disse adeus para o amor verdadeiro
Naquela noite que ficou, para sempre na memória
Fim de cena, fim de história
Não foi por mim que temi
Eu temi por você
Pois o que você perdeu
Jamais se reencontra.
Simone Dimitrov
Santos, 25 de setembro de 2016

Triste, porém bela poesia
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