quinta-feira, 24 de novembro de 2016

AS TREVAS NUNCA VENCERÃO A LUZ




O prometimento causa esperança
Mas ambos não são certezas
Por isso tão incerto e o tormento
E tão sombrio o acontecimento

Tudo se torna sem sentido
Tudo se torna medo e angústia
Sentimentos previsíveis para a imprevisibilidade da promessa
Tudo muda, nada permanece

Difícil é estar à mercê
Como se fosse um objeto
Sem direito a escolha, sem direito a planos
Ambições, se as temos, logo são resfriadas com um balde de água fria

E tudo se torna sem sentido
Sem chão, sem escolha
Sem respeito, sem direito
Um insulto a vocação
Um total desprezo de um talento
De uma entrega e uma trajetória

E assim, como numa escada de poder
Um impede que o outro suba
Tem gente que até empurra
E assim vamos caindo, perdendo a razão
O sentimento se torna frio por pura proteção

Os sonhos feridos por desistência
E a realização que nunca chega
Por que não deixam

Não vale a pena!
Não vale a saúde!
Não vale o apego!
Não vale o desassossego
Não vale deixar um coração a deriva
De uma espera que nunca se concretiza
E que torna impaciente e louco, o serviçal!

Os escravos servirão!
Eu não servirei! Não por opção mas por dádiva e honra!
Por ideal, por amor-próprio e por rebeldia com causa
E por saber que, depois de toda noite solitária e louca,
Sempre surge um novo dia,
A luz, o Deus Sol, a cura
O renascimento, a liberdade e a felicidade.

Simone Dimilatrov
Santos, 24 de novembro de 2016

SENHOR MORPHEUS ME DÊ O MELHOR SONHO!



Às vezes, apenas o que nos cabe
É silenciar diante das mudanças
Assistir o final e, gostando ou não
Desapegar e aceitar
E querer o sonho certo para si

Mas, muitas vezes, também vale a pena lutar
Dizer não! Se for preciso até gritar,
Mas jamais abrir mão do que se ama

E mesmo que seja o ponto final,
De algo que chegou terminou
E mesmo impotentes, diante do inevitável
O desapego se torna obrigatório
Traz dor e sofrimento
Mas é na resiliência que nos faz aprender
A dominar a dor da perda
E nos dá forças para encarar mais uma experiência

E realmente é impossível,
Ter o destino e o controle na palma das mãos
Pois, um poder tão grande, se torna tentação
Perdição e corrupção
Abusando da manipulação
Através da temível arma do medo e da tirania
No inferno a única estrela que queima
Em meio às trevas
É do amanhã que nunca vem

O que é a vida?
Senão adaptação?
Senão aceitação
Do que não se pode mudar?
Ou sim, mude, ouse
Tenha a coragem de assumir as rédeas
A sua vida a ti pertence

Surtar? Resistir? Morrer?
Se for para assim ser
Que não seja digno de importância
Nem por nada,
Nem por ninguém
Nem por algo,
Apenas e somente quando inevitável for a tua hora

Sofrer? Faz parte de viver
Talvez um dia e uma noite de lágrimas
Desapegar? Talvez uma ou duas semanas
Esquecer? Quem disser que isso é fácil
É porque não sofreu
Não chorou
Não teve que desapegar
Não sentiu a sua dor
Mas tudo passa
E se renova

Por isso, eu gosto dos meus momentos de semi-morte
Em que marco um encontro com ela, Lady Libitina
E me divirto como um gato negro e mágico
De sete vezes sete vidas
E assim, ludibrio, Lady Libitina
Por não ver nenhuma graça
Nem em seu humor negro muito menos em sua risada de boas-vindas

Eu me desligo, com os docinhos de Delirium
E assim, emigro para o mundo dos sonhos
Lá, está a paz necessária para me refazer
Para me equilibrar, para me fortalecer,
De mais uma batalha
De mais uma ferida
Que o tempo de descanso e cura
Naturalmente irá reparar
Das tramas da vida
Nem sempre doces
Muitas vezes ardida

Por isso, Senhor Moldador
Eu aqui estou
Me dê o melhor sonho
O mais belo, o mais mágico
O mais encantador e adorável
Pois, haverá de ser, concretizado!

Simoni Dimilatrov
Santos, 23 de novembro de 2016.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

SALVE MARIANNE!

Após a tempestade
Que, dependendo de sua violência
Invade e destrói
E tudo muda...

Mas logo que surgem, os primeiros raios de sol dourado
Que afastam as trevas e fazem vibrar uma morna energia
Pouco a pouco, nos levantamos dos escombros
Sacudimos a poeira
E recomeçamos

E assim é a vida
Mudanças previsíveis ou não
Términos e mudanças
Desça da montanha errada
E tenha, desta vez, a sorte e a fé de ter a sabedoria de escolher a montanha correta

Mas jamais esqueça:
Você escolhe a montanha!
Diga não! Se escolherem para você!
Para mais tarde haver apenas um culpado pelo erro!
Nós mesmos!

Norteie a sua vida!
Custe o que custar!
Em apenas três ideais!
Liberdade, Igualdade e Fraternidade!

Seja livre!
Não se venda, não se prenda!
A dignidade do homem superior não tem preço!
A liberdade é o nosso maior direito!

Seja igual!
Hierarquia e escravidão são ardis sórdidos
De mentes manipuladoras, dominadoras e involuídas
Cuja condenação, embora esquecida, sempre esteve escrita
Serão conduzidas, ao submundo, sem acordo, sem negociata
Portando, apenas, duas moedas, a serem dadas ao barqueiro Caronte

Por isso, seja fraterno!
Caridoso, solidário e inspire a dignidade
Esse é o segredo entre razão e consciência
Que, quando em prática, desperta o real espírito da fraternidade.

Ame! Não a si mesmo ou aos seus
Ame incondicionalmente!
Pois, o amor é o segredo da realização do ideal da trindade:

Igualdade, Liberdade e Fraternidade!

Mas só com o principal princípio realizador
O amor quaternário e divino
São o que promovem
A real revolução!

Simoni Dimilatrov
Santos, 22 de novembro de 2016.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

E ASSIM AMARAM-SE AS FÊNIXS



Tudo rápido
Tudo intenso
Tudo mágico
Sonhos se confundiram com a realidade
Ilusionismo, bom demais para ser verdade!
Foram as suas últimas palavras...


Procuramos, por todos os cantos
Por toda a uma vida
Por aquele olhar que tem o poder de mudar
Duas vidas que sempre estiveram a se buscar
Por aquele olhar que desperta o amor
Dos que se reconhecem refletido na pupila do outro

Atos que ataram
E criaram fortes laços
Inércia que nos desataram
Consequências que nos prendem a grilhões

O que se torna o amor
Quando não se há coragem?
De lutar? De viver?

Morre-se lentamente
Solitários e com os restos de nossos sonhos
Que jamais se realizaram
Dor, saudade e amor

E assim, com os restos das lembranças
De momentos memoráveis
Seguimos em um silêncio que grita mudo e profundo

Corações incinerados
Meio mortos, meio vivos
Apartados e perdidos
E o vento dos anos vem e sopra forte, cinzas e brasas que ainda ardem...
Que insistem em resistir
Que continuam a machucar
Sem nada que se possa fazer, sem nada que se possa falar...
Sobre o verdadeiro amor perdido
O pedaço que completa e falta
E, quem sabe, um dia, se mereça
Renascer na verdade
E não das cinzas...
De mentiras.

Simoni Dimilatrov
Santos, 16 de novembro de 2016