segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CAMPOS DE AGRIMONY



Quem vê minha vida acha que é um palco iluminado
Mas por dentro desta palhaça, o picadeiro é entrevado

Os problemas e mágoas escondidas
Nem um plano ou perspectiva
Sonhos mortos e pessimismo
Estão debaixo de uma máscara de sorriso
De prazer e felicidade

Mas é assim que exige a vida
O esforço da resiliência, pela sobrevivência
Vai estancando a ferida
Disfarçando a minha dor

Com um disfarce, uma roupa colorida e um nariz vermelho
Olhos vermelhos que choraram no banheiro
Respiro fundo, engulo o pranto e atenuo a sensibilidade
Ajo e falo com alegria
Represento o que não sou

Tentando ser a alma de toda a festa
Mas no fundo totalmente desconexa
Solidão e total ausência de identificação
Num canto sozinha sempre estou

Mas a noite, ao fechar da cortina
Removendo a maquiagem e despida
Eu encaro e posso ver o que tudo em mim se tornou

No espelho, a verdade reprimida
A cara limpa e o olhar triste
Não necessitam encenação

A realidade crua, nua e vencida
As frustrações que jamais são esquecidas
Não preciso fingir que alegre estou

O lado escuro da vida
O humor negro que se cria
No sentido do humor fingir
Ser aquilo que não sou

Rir de tudo nem sempre é o melhor remédio
Nada dissipa o meu tédio
Nem cura o meu ser tão incompleto
Ou extingue o meu sofrer

Falsas risadas, um sorriso e otimismo
Eu vou bem muito obrigada!
Uma ou outra divertida e eloquente sacada
Temperada com uma tirada sarcástica
Para não demonstrar e de todos esconder
A dolorosa verdade da minha triste realidade.



Simone Dimilatrov
Santos, 17 de outubro de 2016









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