quinta-feira, 6 de outubro de 2016

NA PIA DA COZINHA


Quando se é jovem
Pouco importa quem na casa dorme
E, com a gente era assim,
Fazendo amor e estripulias sem fim

O primeiro namoro sério
Permissão para dormir na casa do namorado
Um desejo sem fim e tarado
Por novidades e formas de amar

Na pia da cozinha
Território intocável da avó.
Que quando dormia de tão cansada
Não importa qual fosse a nossa baixaria
Se uma ou outra panela no intenso movimento
No chão caia
Gelo, leite condensado
Era leite e deleite para tudo quanto era lado.

E era justamente na pia da cozinha
Que eu gostava mais do seu corpo
Que eu sentia mais o seu gosto
Que eu sentia mais forte e vigoroso
Braços e pernas escorregavam e se apoiavam
E a nossa fome só aumentava
Até saciá-la ao máximo
Com o prazer da fartura de nossas carnes rijas
E o gozo que se podia alcançar

Gostavas de tapar a minha boca
Para que eu não gritasse
De medo, de sermos surpreendidos
Comendo e sendo comida

E era lá, na pia da cozinha
E também na mesa em que a família almoçava
Reunida no sagrado domingo
Que deixávamos na toalha de mesa da avó
As marcas do nosso gozo vadio.
Com desculpas de que, no café
Alguém derrubou, sem querer, o leite.


Simone Dimitrov
Santos, 06 de outubro de 2016.

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