terça-feira, 4 de outubro de 2016

VIDA REAL, FICÇÃO E HISTORIA




I

Bem longe
No lugar onde se escondem os sonhos mortos
As ilusões perdidas
Toda uma vida de enganos e mentiras
Em que devo acreditar?

Por muito tempo...
Meu barco seguiu por mares revoltos
Aventuras, erros e acertos
Experiência, bagagem e decepções

Por algum tempo...
Meu barco seguiu por mares calmos
Para finalmente ancorar
Em um porto supostamente seguro
Tempo de alegria, felicidade, segurança
Projetos de vida tão confiáveis
Ao ponto de cegar-me de tanto acreditar
E botar a mão no fogo
E queima-las e aleija-las
Para o amor
Que se mostrou descartável e cruel

Uma fogueira de traição foi premeditadamente armada
Para acabar, sem dó, nem piedade
Obra vil de vingança e desprezo
Quem ama não fere
Quem ama não mata
Mas nem todos sabem o dever que é amar
Finge, engana, troca
Pensando no prazer e no corpo
E não no carma que gera com outra alma

O destino é e sempre será um divisor de águas
Uma escolha de caminhos
Com ou sem sentido

Na vida se erra em considerar
Que alguém não é um amor e sim um projeto de vida
Um porto seguro é sempre uma ilusão
Que os enamorados gostam de acreditar
Por isso que muitos se perdem
Quando vem a provação

Construímos, tolamente, castelos de sonhos tão sólidos
Que se desmancham, ás vezes, apenas com uma leve brisa
Um dia em que não se imagina que tudo, de repente muda
A partir de um conhecimento, uma troca de olhares
Um desejo que nasce e que se torna paixão, depois amor
E que faz com que promessas antigas
Enfraquecidas e já incertas
Não sejam páreo para a novidade
Que faz da virilidade
A fraqueza moral do homem

E assim lares são destruídos
Compromissos, planos e sonhos
Pessoas são descartadas por outras
Que dizem saber que sabem amar
A partir do desamor

O ser tão humano não admite
Ser cheio de fraquezas e egoísmos
Fazem preces, cumprem promessas
Fazem caridade para aplacar a ira dos Deuses
E atenuar suas maldades
É como acender uma vela para Deus e outra para o diabo

II

E SE NÃO MUDA, TUDO PASSA E SE NÃO PASSA, NOS TORNAMOS MUDOS

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Assim são as ilusões
A vida que feita de sonhos e planos nos muda e no move
Temperando a vida com o amargo e o doce
O azedo e o salgado
E até o agridoce e o apimentado
Muitas vezes o insosso e o envenenado
Ingredientes que dão sabor a vida
Que sem amor é como se não houvesse alimento e energia

Mas também existe o sabor do estragado, do embolorado
Do podre e fétido
Daquilo que se torna doentio
Que se deve jogar no lixo
Ás vezes, uma decisão difícil

III

O COVARDE E APROVEITADOR


E também existe a omissão
A ausência, e enganação
O não fazer nada
O insuportável covarde
Que se faz de bobo, de cego, de surdo e mudo
Para nada fazer
Aproveitador, impiedoso
O que fez de sua existência, nulidade

IV

SOBREVIVÊNCIA

É preciso fazer-se enganar?
Definitivamente, não!
Aceitar a lei da sobrevivência?
Sim! Se adaptar!
Acatar mas também impor-se e fazer escolhas
Enfrentar a tristeza
Sim! Não existe só tristeza
E também celebrar a alegria
Se desaprendeu, reaprenda!
Tente, invente, reinvente-se!

V
TAO


Pois não somos perfeitos
Nem a vida,
Não haveria graça
Se só houvesse o riso e a comédia
Ou se houvesse somente o drama e a tragédia

VI
...

O segredo é equilibrar
Esquecer o que se é para esquecer
Guardar na memória o que merece ser lembrado
Fazer da própria vida, a melhor história.

Simone Dimitrov
Santos, 04 de outubro de 2016.

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