Eu sou como eu quero ser
Não tente me mudar para não se foder
Eu sou o que você pode ver
Mas não deve ousar me notar
Muito menos pegar-me para si
Feito coisa, para me usar
Saia de perto, que eu vou passar
Eu porto um signo terrível
Secreto e invisível
Na pupila do meu bom olhar
Que provoca a sua cegueira
E me mantém invencível diante de toda
Soberba, imbecilidade e ignorância
Eu nem quero que me vejas
Que me conheças ou algo me delegue
Ou que espere algo de mim
Quem dirá, o melhor de mim
Para furtar, se aproveitar ou escravizar
Por isso, não olhe mesmo para mim
Para, pensando ter o poder de aterrorizar
Experimentar um antigo e justo contra-feitiço
Eu jamais posso ser como já fui
Pois eu não sou mais do que apenas
Uma leve e perfumada brisa
Que trazia contentamento, refresco e alento
Naqueles que foram os melhores dias
É melhor que não me conheças
Que não me queira ouvir
Pois nada, de mim, eu lhe direi
É melhor que não me provoques com promessas
Com ardis e torne tudo um engano
Com mentiras que me farão realizar
Os mais belos sonhos
Que tomarás, todos, como teus
Me deixe aqui só
Em paz, feito estátua de pedra
Intocável e reservada
Até que as intempéries
Me façam perder o que me restou
De beleza, juventude e frescor
Faça como todos os outros sempre fizeram
Me ignore, desta vez eu não ousarei
Ser o que eu sou
Não me renda cultos, nem louvor
Nem espere de mim o mesmo teor
Depois de tudo
Eu assim decidi
Proteger-me do monstro da ambição
Não permitindo mais
Nenhuma semente da flor do mal
Ousar plantar, esperar nascer e crescer
E um monstro se tornar
Que se alimenta das virtudes
Para pecados capitais poder cagar
Eu não farei brisa, nem ventania
Eu apenas farei arte e alquimia
Um mundo ilimitado em tons de azul e vermelho
Já que tudo que penso e que sinto
Transformo em equilíbrio e magia
Pintei palavras, escrevi desenhos
Duais em pensamento e sentimento
Misturei e criei as mais diferentes variações de cores
Escalando as dimensões do universo pantone
Até criar o invisível em múltiplas nuances
Que a todos ofuscam
E, a mim, só me fere
Assim, polemizei
Também polarizei
E, finalmente,
Me desapeguei
E me dissipei.
Simoni Dimilatrov
Santos, 09 de fevereiro de 2017

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