sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LÁGRIMAS DE CRISTAL



Eu ouço um Allegro
Nem lento, nem muito alegre
Para esquecer os maus tempos
No esforço transcendental
Entre a alegria e a tristeza
Para conseguir seguir com a vida

E assim, dissipar as nuvens pesadas
Das manhãs nubladas
Quando, nas noites mais escuras da alma
Eu possa, talvez, adormecer naturalmente e, em paz
Sem ter que recorrer
A momentâneas pílulas de felicidade

Mas, o calor tem que ser ameno
Para não queimar a pele alva
Muito menos ferir os delicados olhos cinzentos
Tristes e cansados do velho chorar

Sim, eu sinto e não quero lembrar-me
De memórias passadas e de cristais quebrados
De corações batendo em diferentes compassos
E nem de promessas que se foram
Como palavras levadas pelo forte vento noroeste
Que instável, esquenta e esfria
Numa espiral sufocante de poeira

Os anos se vão
Os rostos e os gostos mudam
Mais um inverno
Sepulta um turbilhão de emoções que morreram
Sonhos, embora perdidos,
Eu não me rendo

Alguns corações são como rochas
Eternos em seu endurecimento
Frios como mármore
Polido, claro e belo

Distante daqui
No tempo e no espaço
Estátuas não choram
Não falam, não sentem, não sofrem
Só eternizam, uma história
Um lapso da eternidade
Condenadas em mostrar a mesma cena
Em triste contemplação
O registro de que um dia houve um sentimento
Que não teve mais conserto.


Estátuas choram
Lágrimas de cristal
Palhaços não choram
Escondem a sua dor, em silêncio
Sobre os véus eternizados

Simoni Dimilatrov
Apátrida, 17 de fevereiro de 2017.






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