sábado, 23 de julho de 2016

ORAÇÃO A HEFESTO



Uma tradição milenar
Fogo divino
Espírito olímpico
Veio ao Brasil desbravar

Os Deuses gregos e pagãos
Renascidos pela velha religião
Não mais pedem sacrifícios
Como faz o Deus cristão

Eu vi o belo felino
Ser injustamente abatido
Pela passagem da tocha
Que devia ser
De paz e de união entre os povos

Eu vi a atleta pedante chorar
Emocionada a tocha olímpica carregar
Enquanto no dia-a-dia
Com ares de celebridade pertence a matilha
Desfila a arrogância, ignora e relega
Ao segundo plano os pobres mortais

Do futuro grita a mulher do povo:
Em nome dos filhos dos Zés Ninguém
A bolsa mal compra o pão com ovo
Mas a hipocrisia sempre premia alguém!

Eu rezo ao deus Hefesto
Guardião do fogo eterno
Que não permita, seja qual for o jogo
Que o terror ameace o nosso amargurado povo.


“Hefesto, cubra-nos com sua égede
Eu que sou poeta desloco a sua forja
Construa para todo político ímpio
Um trono dourado
Para que este jamais consiga se levantar
Contra a nação brasileira
Para que esta não mais professe:
Eu não tenho pátria mãe.”



*Hefesto: deus do panteão grego;
 Deus da forja e do fogo símbolo

S. Dimitrov
Santos, 22 de julho de 2016 (dia em que a tocha olímpica percorreu a cidade de Santos).











quinta-feira, 21 de julho de 2016

SONETO DO FODEU

A pretensiosa poetisa aprimorava a sua escrita,
Ao analfabeto funcional que nada entendia,
Artífice da palavra, trouxa não percebia
Que sempre seria uma ilustre desconhecida
Em uma nação que muito pouco lia

De nada adiantou criar tanta rima
Se no vácuo sempre permanecia;
E a arte que enfeitou com tanto primor,
Nunca divertia pois nunca rimava
Com bunda ou com pica

O que adianta tanta erudição?
Se as estatísticas dizem que o povão
Só aprecia o palavrão.

Neste século XXI
Século do celular e da zumbilização
No qual este tipo de literatura
Quase ninguém mais atura
A não ser para se sair bem
Ao prestar o ENEM

Quem insiste em ressuscitar tal arte
Que louvada fora num distante passado
Acabara de fato amargurado
Devido ao público que é alienado

Porém segue insistindo
Com tal ânsia trabalha e rala
Mesmo estando cada vez mais fodido
Antes duro e caído do que bandido.

S.Dimitrov
Santos, 21 de julho de 2016


quarta-feira, 20 de julho de 2016

A HISTÓRIA DE DOIS CORAÇÕES

A HISTORIA DE DOIS CORAÇÕES
(Dedicado ao amor de Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas ‘Bosie”)

Prestigiado e homenageado
Intensamente aclamado
Pela arte do talento
O gênio criativo do momento
Provocador de lágrimas e risos
Tudo o que importava era apenas a arte
Único amor verdadeiro no coração

Naquela noite
No meio da multidão,
No fundo do salão
Ele estava lá
A esperar
A observar

Quando um olhar encontra o amor
Uma luz diferente a tudo ofusca
O momento mais grato
Fixado na memória
O amor o flechou
O mundo congelou
Estava apaixonado

Sentindo a mente girar
A voz embargar
O frio subir
E o ventre congelar
Aquele olhar misterioso a fitar
Olhar escorpiano cheio de paixão
Inflamado de tesão
Falta palavras e o que dizer
Estava completamente inebriado

Anjo triste, belo e andrógeno
Pele alva, cabelos cor do trigo
Juventude e frescor
Beleza lucífera
Enfeitiçado pela sutileza de delicados traços
Estava encantado

Envolto em suas asas cor de ouro
A voar, a girar pela imensidão do sétimo céu
Fez destas vidas
Uma tempestuosa história de amor

Perdido em tantos caprichos
Perdendo a essência
Perdendo a vergonha
Mantendo o amor

Anjo lucífero
Alma perdida em devaneios
Nem a traição, nem a dor, nem a prisão
Nem a perda da reputação
Podem pagar a chama que arde em nós

Ter você
E ser teu
Nunca foi fácil
Estou enfeitiçado!

Aqueles beijos tão indecentes
De um amor tão inocente
Um crime para toda gente
Eu estava fascinado

Mesmo o amor me destruindo
Me devorando
Me consumindo em fogo
Eu nunca conseguirei dizer não
As portas do inferno se abriram

Mesmo sob intensa penúria
Submetido a mais cruel das torturas
Eu sinto toda a vez que lhe olho
Que a ti pertence a minha alma

As consequências desse louco amor
Que perdeu a noção da realidade
Que perdeu a sanidade
Quando fomos, para sempre, um
Jamais seria fácil!

O calor do corpo
Que jamais dissipa o desejo
Que quebra toda resistência
A meia luz
Estava extasiado!

Não é fácil
Invadir um coração
Assim como invadisse o meu
O meu mundo
Trancado a sete chaves

Não tenho mais a antiga inocência
Não tenho nada a declarar em minha defesa
Eu sei que não seria fácil
Viver esse amor aquarelado
Explodindo em mil tons
De cores, odores e sabores

Anjo...
Adentrei ao portão dos infernos
O mergulho a profundeza
Para poder a ti exaltar

Em meu ataúde planteaste
Beijaste e jogaste
Um cravo amarelo


S. Dimitrov
Santos, 20 de julho de 2016.


terça-feira, 19 de julho de 2016

SERVIDÃO HUMANA

SERVIDÃO HUMANA

Tanta angústia, tantas travas
Ainda a falta de reconhecimento
O desalento, a solidão
O ser impedido de conquistar o lugar ao sol

A trapaça, a ganância e o pedante
São como drogas que apodrecem uma alma
Nojo da podridão humana

Trauma e medo
Quem disse que o homem é semelhante a Deus?
E quem é deus senão o diabo?
E a justiça? Que justiça?
É uma deusa cega que nada vê
Mentiram ao dizer que é imparcial
Não para mim!
Jamais!
Se fiz justiça foi com suor e lágrimas
Debatendo-me desesperadamente
A lutar pela vida com desespero e força
Agindo em própria defesa
Ter que emergir do fundo do poço
Ou engolir seco o ruim amargor


Ah nem de ironia se pode viver...
Nem perder a cabeça
Destruir tudo!
A fim de evitar, nem que seja, a perda da saúde
E, a vontade de gritar se torna muda
A ânsia de quebrar tudo se torna um murro no escuro
Ou isso ou atestar a perda da razão e da sanidade.

"E lá vai a pobre coitada
Ficou doida de pedra
Mas pelo menos fez justiça
É doida mas não é trouxa!"

Ah, a vida!
Ingrata aos não eleitos, aos que são mais um na multidão
Nada mais é do que uma trama
Um sonho dentro de um sonho
E a verdade revelada: o pior pesadelo.

A prisão perpétua!
A servidão humana!
Eis o homem
Sempre subordinado a outro
E a pior mentira inventada:
A de que todos somos todos iguais.

S. Dimitrov
Santos, 19 de julho de 2016.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ESQUECER JAMAIS



ESQUEÇER JAMAIS

É preciso seguir
E ficar em paz
É preciso esquecer
Deixar tudo para trás

O tempo passou
E tudo transformou
Menos o amor
Que se eternizou

Em algum lugar
Bate um coração
A recordação
Do sol da manhã
Despertou a chama da paixão
Em um coração

O olhar indecente
A mulher carente
Charme e sedução
Foi a perdição

O seu caminhar
A sua atenção
“Eu te amo” mas não!
Palavras ditas em vão
O triste pesar
De correr atrás
De sofrer demais por uma ilusão

Esquecer jamais!
Esquecer jamais!
Esquecer jamais!

Ao seguir tão só
E ver renascer
Uma flor secou
Que um beijo ressuscitou

O semblante envelhecido
O sutil odor
Daquele perfume tão tentador
Que num lapso do tempo
Ainda persiste
Ainda resiste
A relembrar
A assombrar
Esquecer jamais!
Esquecer jamais!
Esquecer jamais!

Como aquela música que representou
O tom mel e dramático desse amor
Em meio a confidências
Tanta inocência
A mesma velha cena
A se repetir
Encena um Dom Juan

É preciso seguir
Até mesmo fugir
E ficar em paz
Não olhar para trás
Esquecer a dor
Desse desamor
Que um dia sangrou
E não sangra mais

E a felicidade, que felicidade?
Vício e fantasia
Era uma fraude
Não aconteceu
O sonho acabou
O ano virou
O filme terminou!

Esquecer jamais!

S. Dimitrov.
Santos, 18 de julho de 2016.