A HISTORIA DE DOIS CORAÇÕES
(Dedicado ao amor de Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas ‘Bosie”)
Intensamente aclamado
Pela arte do talento
O gênio criativo do momento
Provocador de lágrimas e risos
Tudo o que importava era apenas a arte
Único amor verdadeiro no coração
Naquela noite
No meio da multidão,
No fundo do salão
Ele estava lá
A esperar
A observar
Quando um olhar encontra o amor
Uma luz diferente a tudo ofusca
O momento mais grato
Fixado na memória
O amor o flechou
O mundo congelou
Estava apaixonado
Sentindo a mente girar
A voz embargar
O frio subir
E o ventre congelar
Aquele olhar misterioso a fitar
Olhar escorpiano cheio de paixão
Inflamado de tesão
Falta palavras e o que dizer
Estava completamente inebriado
Anjo triste, belo e andrógeno
Pele alva, cabelos cor do trigo
Juventude e frescor
Beleza lucífera
Enfeitiçado pela sutileza de delicados traços
Estava encantado
Envolto em suas asas cor de ouro
A voar, a girar pela imensidão do sétimo céu
Fez destas vidas
Uma tempestuosa história de amor
Perdido em tantos caprichos
Perdendo a essência
Perdendo a vergonha
Mantendo o amor
Anjo lucífero
Alma perdida em devaneios
Nem a traição, nem a dor, nem a prisão
Nem a perda da reputação
Podem pagar a chama que arde em nós
Ter você
E ser teu
Nunca foi fácil
Estou enfeitiçado!
Aqueles beijos tão indecentes
De um amor tão inocente
Um crime para toda gente
Eu estava fascinado
Mesmo o amor me destruindo
Me devorando
Me consumindo em fogo
Eu nunca conseguirei dizer não
As portas do inferno se abriram
Mesmo sob intensa penúria
Submetido a mais cruel das torturas
Eu sinto toda a vez que lhe olho
Que a ti pertence a minha alma
As consequências desse louco amor
Que perdeu a noção da realidade
Que perdeu a sanidade
Quando fomos, para sempre, um
Jamais seria fácil!
O calor do corpo
Que jamais dissipa o desejo
Que quebra toda resistência
A meia luz
Estava extasiado!
Não é fácil
Invadir um coração
Assim como invadisse o meu
O meu mundo
Trancado a sete chaves
Não tenho mais a antiga inocência
Não tenho nada a declarar em minha defesa
Eu sei que não seria fácil
Viver esse amor aquarelado
Explodindo em mil tons
De cores, odores e sabores
Anjo...
Adentrei ao portão dos infernos
O mergulho a profundeza
Para poder a ti exaltar
Em meu ataúde planteaste
Beijaste e jogaste
Um cravo amarelo
S. Dimitrov
Santos, 20 de julho de 2016.

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