E a dor e
a decepção pairou sobre todo o meu ser feito nuvem negra
Feito
chuva eterna e sentida
Como algo
que morre e se vai
No peito,
onde reside uma parte de minha alma
O
sofrimento, a decepção e a mágoa
Que sinto
a ferida sangrar e realmente a dor seca e mortal
Faz
verter lágrimas de sangue que gotejam lentas e mudas
Só quero
dormir, esquecer o que não posso
Assim
consigo por um lapso de tempo
Um estado
de quase morte
De
desligamento, de onde não me lembro a decepção e o fim
De onde
me anestesio da dor que não grita
Quando
sonho não sofro
Voo para
longe num oásis etéreo e desconhecido
Lá
encontro alento e consolo
Paz e
descanso
Quem sabe
um beijo e um abraço de um anjo
Mas
quando acordo
Lá vem,
tudo forte novamente
Me
abatendo, me matando lentamente
Me
modificando tão negativamente
Que a
profundidade da tristeza do meu olhar
Refletem
a minha dor e pesar
Pior de
tudo, sempre foi assim
Mas
talvez eu nunca percebi
Sempre
tolerei, disfarcei e perdoei
Talvez
por quem sabe o tempo e a esperança fizessem
Com que
tudo mudasse
A
imundice, a ignorância, o desrespeito
Que nunca
mereci, na verdade, ninguém merece
Mas quis
o tempo em que o limite do basta chegasse
E que
apenas restasse o amor próprio, a auto preservação e o evitar de pessoas e
situações que se tornaram intoleráveis
Talvez
existisse o chorar de uma determinada quantidade de lágrimas
O sofrer
uma quantidade exata de ofensas
Por
determinado tempo, até que chegasse o insuportável
Para que
houvesse o reconhecimento do limite de onde o dever
Acaba por ferir a honra e a dignidade
Acaba por ferir a honra e a dignidade
Pois quem
ama, assim não age, com violência, agressão, indiferença e desrespeito
Até que o
amar masoquista e tóxico
Faz com
que a última e derradeira lágrima,
Se torne
a gota d’água.
Simoni Dimilatrov
Santos,
06 de novembro de 2016.

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