domingo, 6 de novembro de 2016

A GOTA D’ÁGUA




E a dor e a decepção pairou sobre todo o meu ser feito nuvem negra
Feito chuva eterna e sentida
Como algo que morre e se vai


No peito, onde reside uma parte de minha alma
O sofrimento, a decepção e a mágoa
Que sinto a ferida sangrar e realmente a dor seca e mortal
Faz verter lágrimas de sangue que gotejam lentas e mudas


Só quero dormir, esquecer o que não posso
Assim consigo por um lapso de tempo
Um estado de quase morte
De desligamento, de onde não me lembro a decepção e o fim
De onde me anestesio da dor que não grita


Quando sonho não sofro
Voo para longe num oásis etéreo e desconhecido
Lá encontro alento e consolo
Paz e descanso
Quem sabe um beijo e um abraço de um anjo


Mas quando acordo
Lá vem, tudo forte novamente
Me abatendo, me matando lentamente
Me modificando tão negativamente
Que a profundidade da tristeza do meu olhar
Refletem a minha dor e pesar


Pior de tudo, sempre foi assim
Mas talvez eu nunca percebi
Sempre tolerei, disfarcei e perdoei
Talvez por quem sabe o tempo e a esperança fizessem
Com que tudo mudasse
A imundice, a ignorância, o desrespeito
Que nunca mereci, na verdade, ninguém merece


Mas quis o tempo em que o limite do basta chegasse
E que apenas restasse o amor próprio, a auto preservação e o evitar de pessoas e situações que se tornaram intoleráveis


Talvez existisse o chorar de uma determinada quantidade de lágrimas
O sofrer uma quantidade exata de ofensas
Por determinado tempo, até que chegasse o insuportável
Para que houvesse o reconhecimento do limite de onde o dever
Acaba por ferir a honra e a dignidade
Pois quem ama, assim não age, com violência, agressão, indiferença e desrespeito
Até que o amar masoquista e tóxico
Faz com que a última e derradeira lágrima,
Se torne a gota d’água.


Simoni Dimilatrov
Santos, 06 de novembro de 2016.

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