sábado, 5 de novembro de 2016

O BEIJO DA MORTE



Teus lábios frios me tocam
Teu hálito gélido sopram no meu ouvido
Seu olhar vidrado indicam o fim do caminho

Eu sei, deixei-me levar em rotas que jamais pretendi trilhar
Sucumbindo as tentações, aos excessos,
Descendo ao mais profundo inferno
Inebriado e absorto de qualquer senso
Ousei e abusei, me entregando a todo tipo de sensação
Num estado de vagar insano, pelas ruas
De rei fui mendigo
Andarilho sem rumo e sem sentido

Naquela noite mais fria
Em que fiz da ponte minha cama
E da pedra pontuda travesseiro
Você finalmente veio

De súbito senti
Que não havia escapatória
Ao golpe certeiro e rápido
De sua velha e afiada foice

E assim foi, o último e inesquecível beijo
Que sugou-me a vida até o último expiro
Coração parou
Cérebro desligou
Meu nome, em memória perecível como a carne,
Foi transportado, para onde não sei
Silêncio e perturbação

Não queria continuar cabisbaixo
Vivendo por viver, sem motivo e lucidez
Solitário ás vezes, alucinado sempre
A procurar sei lá por quem
Nem ao quê

Mas, certo estou
Que não era você, o meu amargo alvo
Nem era o frio dos teus lábios o meu desejo
Que daria fim aos meus insatisfeitos anseios
Muito menos o veneno negro e fatal de seu triste beijo.

Simoni Dimilatrov
Santos, 04 de novembro de 2016.







Nenhum comentário:

Postar um comentário