terça-feira, 1 de novembro de 2016

BALADA DE SAMHAIM¨*



Toca o sino da meia-noite
De batida surda por poucos ouvidos
No entremundos
Na noite triste de novembro
A chuva fina e o nevoeiro
São as lágrimas de saudade
Daqueles que já morreram

Abre-se a fúnebre trilha
Quando o véu encontra-se fino
Vão, em silenciosa procissão
Todos que aguardam entre um ano e um dia
Para a viagem às terras onde sempre é verão

Dois círculos são traçados
Os guardiões convocados
O casal sagrado por fim é chamado
E o UNO também é exaltado

Choram pela madrugada
Velas negras e vermelhas
Homenagem, honra ancestral e ritual
Comunhão é compartilhada e sentida
Todo fim prepara um novo início.

Rezemos, oremos e recordamos
Honramos, reverenciando e cantamos
Aqueles que nos precederam, agradecemos
Com perfeito amor e confiança
No limiar da alta hora
É possível sentir a presença
Sentir o mistérios de criar e, através do amor
Que um dia fez nascer
No mesmo amor se perpetua e espera a hora do renascer.

Simone Dimilatrov
Santos, 01 de novembro de 2016

* Samhain, o principal ritual dos oito da Roda do Ano wicanniana.
Segundo alguns autores, grande parte da tradição do Halloween, do Dia de Todos-os-Santos e do Dia dos fiéis defuntos pode ser associada ao Samhaim.

O Samhaim era a época em que acreditava-se que as almas dos mortos retornavam a suas casas para visitar os familiares, para buscar alimento e se aquecerem no fogo da lareira.

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