Saio de mim esta noite
Apenas a música, o vento e este voo solitário no céu
A cidade cruel adormecida
As feras internas sonham sobre suas camas
Suas casas, seus cargos, seu poder, seu dinheiro
Presas ao mundo de intrigas
Jogando o velho jogo do poder
Roubando, magoando e matando
E eu? Criei asas
Não voltarei mais para casa
Porque eu não tenho mais casa
Nem emprego, nem cidade
Nem nome, nem dinheiro
Nem quem me queira bem
Nem tenho alguém a esquecer
Eu tenho a noite
A solidão
A imensidão
Dois grandes olhos cor de estrelas como norte
E uma lua que ri de minhas estripulias
E eu nunca mais escreverei nada
Tenho asas não mais penas
E eu nunca mais falarei nada
Minha boca é um longo bico
Agora eu só canto e encanto
O canto da madrugada
Que só os bons podem ouvir.
S. Dimitrov
Santos,
28 de julho de 2016

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