Ainda de pé
Sozinho estou
Ao final do funeral
Do meu amor
Rosa, a mais bela flor
Pele alva como a lua
Que nos enamorou
Olhos azuis refletiam
O brilho da mais linda estrela
Que me enfeitiçou
Dilacerado agora estou
Por perder
A razão do meu viver
O que antes eram duas delicadas safiras
São olhos vidrados e semiserrados
Pelos longos cílios negros

Inaceitável nunca mais poder ver
O brilho da luz que me guiava
Tão jovem me deixara
De joelhos banhado em lágrimas
Na campa fria
Descansa em paz a mais bela Rosa
Posso senti-la sob a neve
Jamais romperia a minha promessa
Anoitece, mas desta vez
É diferente por não haver mais um amanhã
É como se o véu da última noite
Não fosse apenas uma densa escuridão
E eu ainda estou aqui
Perdido em meio ao nevoeiro
Já não é possível saber onde tudo começa
E nem onde termina
Encerrado em trevas estou
A morte levara o meu amor
Mas não o nosso amor
Os salgueiros comigo choram
E o vento frio parece imitar uma voz
Amor você pode me ouvir?
Eu deveria deixá-la descansar
Mas eu não poderia jamais
Abandoná-la sozinha aqui
E um sussurro do vento parece dizer
Meu amor pode me ouvir?
Alucinado pela dor
De perder o meu bem querer
Escuto: você também pode me ver?
Sim! Eu posso ver!
Um anjo a jazer
Em seu delicado esquife de cristal
Enlouquecido e perdendo
A noção do tempo
Em que eu diante da sepultura estive
E não pude me mover
Eu a vi
Intocada pelo tempo
Não! Ela não está morta!
Parece apenas dormir!
Isso é real? Alucinação!
Seus longos cabelos negros perfeitos
Não enfeitam uma horrenda caveira
Deles ainda emanam o amado perfume
Quanta saudade...
Vejo os seus lábios vermelhos
Deles não vertem vermes como deveria ser
Eles continuam vermelhos como rubis
Quentes, macios e doces
Como sempre foram os nossos beijos
Cheios de desejos e juras de amor eterno
A beleza da sua boca
A sua voz a sussurrar venha
Amor meu...
Não em deixe aqui
Tão só
Espanto!
Horror!
Como ela poderia estar viva?
Intervenção dos céus!
Um milagre acontecera!
Não era loucura nem fantasia
Sim! Ela está viva!
Estava apenas a sonhar
Um sono catatônico
Semelhante ao da morte
Ó minha amada
Tão aflito estava o meu coração
Em perdê-la que inconformado
Enlouqueci...
Desesperadamente cavei-lhe a cova
Até sangrar-me as mãos
Eu ria, ela chorava
Eu chorava e ela ria
Das tábuas do ataúde
Ressurgiu a mais bela Rosa,
Rosa de meu amor
E segurei-lhe novamente em meus braços
O amor da minha vida, semidesperta, ainda vivia
Delicada, frágil e fria
Murmurando baixinho
Não me deixe só....fique comigo...
Precisava aquecê-la, levá-la dali, de volta para a casa
Contar a todos que sua morte fora um engano
Que nada mais era do que um sono profundo
Do qual ela milagrosamente despertara
Banhado em suor, febril e emocionado
Meu coração aos pulos
O meu calor seria suficiente para nós dois
Meu coração batia cada vez mais forte
Batendo por nós dois
O amor havia vencido a morte!
A visão turva da amada em meus braços
A felicidade incomensurável sorrindo
Suplantando toda a dor
Que, de repente foi sumindo...
Nem percebi quando meu coração parou
Talvez foi na última batida...
Meu amor, minha Rosa
Finalmente despertou!
Santos, 03 de julho de 2016.
S. Dimitrov
* do latim Rosalia, o nome de uma antiga festa popular romana, semelhante ao que é atualmente o dia dos finados.
As pessoas batizadas com este nome, normalmente, recebem alguns apelidos carinhosos de amigos e familiares próximos, como Rosa, Lia ou Rosi, por exemplo.
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