quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A LUA QUE RI (SIMORGH)



                                                                                                  
Do fundo da minha noite
Escura da alma
Ela está lá
No alto encimada
A iluminar a noite
Com seu sorriso amarelo
Sarcástico que ri
Da minha angústia
Da minha falta de paz
Dos sonhos perdidos
Do sono que traz sempre, o mesmo pesadelo
Se repetindo e assombrando
Feito música de um disco riscado
No velho gramofone

Nos dias de luta
Inflamada pela revolta
Que a falta de perspectiva traz
Sobrevivo!

Em meio a tantas injustiças
Ser grato a mão que alimenta
As migalhas ao chão
O silêncio e a solidão
E a falta de adulação
Isolação!


Nos dias de morte
Eu incendeio a própria mente
Para libertar o espírito
Como a fênix recriada ganho os céus
Bem alto no céu
Partindo daqui
Liberdade!


Me reinvento

Subitamente acordo
Banhada em suor
Me deparo comigo mesma
Não foi real
É real!
Era o alado e estranho dom
Simorg!

Meu reflexo na penumbra não reflete mais o velho pesar
De outros tempos
De outras eras
De almas mortas
Mortas-vivas
Que insistem
Volta e meia assombrava
Num debater eterno
Do fundo do poço a superfície
Nadei com força
Acabou!


Nem é a primeira
Ou última vez
Mas sempre mais!
Nascimento
Sangue
Suor
Lágrimas
Vida

Nunca em vão!
Se vão...
E morrem

E voltam
Renascida!

Simone Dimitrov (sob a espreita do coelho da lua)
Santos, 17 de abril de 2016

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