segunda-feira, 29 de agosto de 2016

APAGANDO AS LUZES DA RED LIGHT



O que era aquele amor ao sol do meio dia
A barriga vazia e a fome de amar
Que nutria duas vidas de sonhos e promessas?

O que era aquele o amor furtivo
Que sorvia a fruta amargada pela vida
Que o mel quase adoçou?

O que era aquele amor devasso
Que sonhava com todos os abraços
E em amar, livremente, em Amsterdã?

Ia de leve para não assustar
De mulher em mulher
A musa de seu tantra sedento a encontrar
Não é fácil e nem há razão para entender

Estudando a escolhida na vitrine
Que, perdida, usava uma máscara e um trágico nickname
E escondia amores ‘ton sur ton’
Enquanto os lobos profanam a magia
Em conversas de fanfarrice em matilha

Sutilmente tentava encontrar o ardor da pimenta no prazer
Mas só encontrava nela o tom nude e romântico
Do erótico sol em áries em conjunção com o romântico vênus em libra
Naquela noite em que as máscaras caíram
O céu tempestuoso revelou
Um tom entristecido e mais branco
Da palidez da descoberta
Que nos fez morrer

E a espera de atitudes
Nenhum movimento a não ser a aceitação
Somente um ganido covarde
E um descontente silêncio
De que nada pode ser feito

Antes de partir para o litoral
Para a praia do adeus
E me tornar uma virgem vestal
Escrevi-lhe uma última vez
Um segredo sobre encontrar a chama que ardeu no fim do túnel
Para não ter que enxergar a nitidez do que estava perdido
A esperança da relutância em ter que dizer adeus
Quando não se quer a despedida
Decerto, não entendeu

Nenhuma voz foi mais ouvida
E talvez o sonho não tenha passado de um conto de fadas
De dois espectros que vagavam por estas estradas
E que assombravam as tardes de maio
Quando o vermelho da paixão
E o branco da desilusão
Por um momento se misturaram
E se tornaram róseo de amor
Apartado e eterno.

Simone Dimitrov
Santos, 29 de agosto de 2016.





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