quarta-feira, 24 de agosto de 2016

HISTÓRIA DE AMOR NA ESCURIDÃO


I
Se pudesse captar o exato momento,
Em que o amor acontece e atinge em cheio o peito
Quando os olhos se cruzam e mudam destinos
O instante em que a chama mútua do fogo acende a pira
E desperta a paixão fazendo o tempo congelar
Predestinação e mistério, inesquecível ápice

O mundo parece girar e gira, todos os poros loucos
Despertando os instintos, na ânsia cegos e surdos, sem juízo
Somos abduzidos para um jardim secreto de delícias
No qual os amantes trocam suspiros
Amor ora puro, ora malícia




Amor que acontece num repente e tudo muda
Paixão que nunca se extingue ou se esquece
Como cicatriz, feridos pela flecha de Eros
Ferida que verte o sangue sagrado de amor
Tanto é o amor que se torna dor
Num estado febril, doença

Insanidade e insensatez
Adorar alguém com tamanha avidez
O amor este estranho desconhecido
Vem e bate forte como a ressaca do mar em fúria
Nos arrasta aos pés de quem sequer nem sabe-se muito
Ou quem se é ou a que veio
Urgência em descobrir
O suficiente para se perder, se render, se entregar...

Como obra de magia sorrateira
Que nos faz perder a estribeira
Algo que nunca se pode prever,
Apenas esperar e torcer que haja a desejada correspondência

Neste estado encantado e raro
Roubaste meu coração e a calma
E me destes o melhor do amor e amparo
Quando um coração se torna um

II
Em seus olhos vi a sua alma
E, em minhas pupilas dilatadas de emoção,
Minha alma ardia em desejo e perdição
Uma só alma

No instante em que meu corpo inteiro arrepiava
A respiração ofegante, o ardor instigante
O coração batendo desconsertado
Juntos, um só ritmo perfeitos e fortes

A mente o tempo todo entorpecida
A espera da sua presença, o frio na barriga
O pensamento tropeçando em visões de você
Criando histórias, romance e situações
Realidades que gostaríamos de viver

E agora o tempo todo
Pisando em nuvens de ilusões e espera eterna
Além do sonho, a vontade e a saudade
Buscando o perfume em cada esquina dos becos da solidão
Rezando por um encontro casual
Mais uma vez, talvez

A lembrança silenciosa do beijo
Que nos fez tolos, naquele outono
Em que o contente se fez pouco
Depois, apaixonados e separados,
Distantes, loucos e solitários

III
Com a distância e o tempo
Aos poucos, caindo em profundo desespero
Numa prisão de sentimentos, minha razão se perdendo
No fim de tudo, no fim do mundo
A esperança, duas estrelas no meio do nada
Talvez indiquem um caminho no mapa
No submundo ser livre
Para sermos eu e você
Nós, por um milagre, iguais

IV
Nada, nem um sinal no fim do túnel
Uma luz sequer em meio a escuridão
Que deixe transparecer
Um universo imaginário de prazer
De estar e amar, você!

Os desejos em ricas cenas em sonhos lúcidos
Subterfúgio para esta imensa dor
Silenciosos, indizíveis, nos braços eternos do amor
Sendo sua, abrindo os portais do inefável
Num labirinto doce e sem fim
Reencontrando e jamais se perdendo
Não ser mais errado ou pecado
Ser resgatada, sã e salva em seus braços
Amor livre para ser amado

V
No sonho de amor sem fim
Distante no tempo e no espaço
A sua voz a chamar e a ressoar num universo paralelo:

“Meu amor, eu te amo!
Eu sempre te amarei!
Como é maravilhosa a sua energia
Você está em mim
E eu estou em você!”


Simone Dimitrov
Santos, 24 de agosto de 2016.

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