sábado, 20 de agosto de 2016

SUPERNOVA



O poeta é um louco
Que faz de suas andanças, mil sonhos
Sentidos e imaginários
Paranóide, mistérios desvelados
O bobo da corte que busca embriagar-se de amor
E encontra o desprezo, o abandono
A tragédia e o riso

O poeta é um pobre imortal
Que passa pela vida alimentando-se de sonhos
Num esforço sobrehumano,a barriga roncando
Sem nome, sem orgulho, sem um vintém
Cantando suas misérias a todos
Nem sempre sendo compreendido por alguém

O poeta é um maldito promíscuo
Por viver e contar todos os amores
Que duram, ás vezes, uma só noite
Abandonado a arder, no sol da manhã
A própria sorte na esquina, na areia de uma praia
Até em poeira de estrelas se converter

O poeta é o alquimista das palavras inauditas
Que experimenta e se embriaga de diferentes químicas
Com todos os vícios e venenos da humanidade
Mestre da fatalidade, de pesadelos e do fantástico
Vive solitário em uma lunática e desconhecida dimensão
Solidão, ostracismo e depressão
Uma esmola, a identificação.

O poeta é um como um moribundo que nunca morre
Não teme a morte e nem a sente como um esqueleto
O sombrio e macabro portador do número 13, capa negra e foice
A morte, para o poeta, é uma bela e alva moça de lábios cor de vinho
Que sentou-se com ele na mesa, bebeu e riu por toda a noite
Aquela a quem sempre ele esperou conhecer
Flertar e amar, pela última vez
Beijá-la e morrer de tanto prazer

O poeta é ousado como o supremo inventor
Ao conter em seu espírito o fogo criador  
Ao manejá-lo alcança e desafia o artífice desconhecido
Revela mistérios, se torna maldito
E pela sua criação acaba destruído

O poeta é um anjo andrógeno e caído
Nunca de fato morre, fica para sempre vivo
Através de a sua obra faz da esperança uma estrela
Não importando qual seja o pó,
O que brilha em uma distante constelação
Ou aquele que se forma sobre o velho livro empoeirado na prateleira

S. Dimitrov
Santos, 20 de agosto de 2016.

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