sexta-feira, 26 de agosto de 2016

INCOMPLETUDE I

Nunca Adeus! Jamais!
Quis dizer e não direi adeus ao amor!
Amor que não se pode ter
Amor que não pode ser
Não por não amar
Mais por amar demais

                                                            

O amor saboreado em poucas doses
Interrompido pela força do destino
Piedade a todo aquele que for impedido de amar, por amar
Que tenha força para sobreviver e prosseguir
Com o coração em pedaços
Sem rancor, veneno que amarga a alma
Que tente seguir solitário em muda dor
Engolir a saudade e, das lágrimas escondidas, fazer um mar
Para sentir o amor que permanece e nunca se esquece
Que brilha eterno e intenso na cintilância do oceano
É lá que poderás olhar
Quando quiser me encontrar.

O amor interrompido vive dentro do peito ferido
Secreto ninguém vê que sangra embora pareça água que escorre de pedra
Feito um emaranhado de espinhos que machucam fundo e sempre
Feito flor que nunca morre,
Por ser perfeito amor e sem fim
É feito de profunda raiz

Se tornou um sonho de amor ideal
Que não se desfaz pela maresia da rotina
O gosto é amargo na boca, ausente de beijos não são dados
Corpos que não mais se entrelaçam
Por não serem metades como fomos
Incompletude

E se busca adoçar um pouco a vida, apenas um breve alívio físico
Novamente um nó na garganta
E uma mente cheia de lembranças
O vazio...
Incompletude

Segue cumprindo o dever que é duro e amargo
O de ser incompleto, nas costas um invisível e pesado fardo
Expia tudo para que um dia possa ser
Cumpra firme com o dever
Para um dia merecer
A completude

Simone Dimitrov
Santos, 25 de agosto de 2016.

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