domingo, 21 de agosto de 2016

O LADO CLARO DA LUA (EMPODERAMENTO)



Não me prenda a nada!
Pois já não me esforço mais para ser nada que seja convencional.

Não me prometa mais nada!
Pois já não me apego a nada que seja promessa.

Não tente me definir!
Pois não existe mais vontade, de minha parte, em explicar-me.

Não espere que eu seja companhia!
Pois nunca é tarde para que se aprenda a viver sem o medo da solidão,
O maior pesadelo do homem!

Não espere que eu me acalme!
Pois é insuportável carregar uma bagagem de sentimentos
E uma mente sobrecarregada pela pressão de ser, o que não se quer ser.

Não espere de mim, nenhuma constância...
Há tempos, permitir-me o direito de não ter paradeiro conhecido.

Não espere de mim, o velho sorriso amarelo da superação de um dia após o outro!
Eu já não posso mais representar só para agradar.

Não espere que eu seja um porto seguro, o ombro amigo em que desabafas ao fim de um dia duro...
Se nunca encontrei no “amigo” a mesma disposição, paciência e igualdade!

Não espere que eu fique para sempre!
Pois eu já parti faz muito tempo.

Não estranhe ser preciso me afastar, esconder ou silenciar...
Já não tenho nenhum interesse em integrar-me muito menos tenho algo a dizer ou fazer...

Não penses que eu desisti, na verdade, o que mudou foi não ter mais nenhum interesse nas coisas que muitos querem...
Eu também superei a necessidade de impor-me a qualquer preço.

Não penses que isso seja uma estratégia para realizar velhas ambições...
Se em mim o desapego floresceu e tornou o meu nome maior que uma cidade, um país e esse mundo, tão estranho e hostil.

Não penses que a decisão de ermitar é somente uma espécie de morte social...
Eu apenas comecei a viver de verdade, para o que vale a pena e para mim.

E jamais serei novamente o que querem que eu seja!
Porque EU SOU enquanto EU QUISER SER.

Assim eu sou e escolhi...
Desapegar de tudo para criar o meu mundo...

Com arte, sutileza e transcendência...
Para ser inesquecível, infinita e ilimitada.

Simone Dimitrov
Santos, 21 de agosto de 2016.   


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