quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CANTO DE SETEMBRO



Ah setembro, em Santos, mês dos meus amores
Não sei dizer o porquê de sentir tanto encanto
Me foge qualquer explicação que justifique a razão
De ser, inconscientemente, plena e feliz
Pela sensação de renovação, renascimento
Como um abraço intenso,
Nem insuportavelmente quente,
Nem formalmente frio
Setembro, vem como aquele tão esperado momento
Em que os olhos já se beijam mas as bocas não se calam
Até que os apaixonados não suportem mais
Experimentar o gosto do inesquecível primeiro beijo

Os dias amenos, serenos e doces
De um equilíbrio mágico, cálido e dourado
Nas manhãs ouvir o canto da passarada alvoroçada e  enamorada

Quanta felicidade em nuances de azul
Que o céu límpido emana suave brisa
Num frescor que faz querer se ter o poder
De paralisar toda a correria da cidade
Nada de carros, de ônibus, fumaça e buzinas
Nem idas e vindas da pressa que abrevia a vida

Em devaneios, sigo pelo passeio, os canais e o cheiro do mar
A vida se renova, pequenos peixes, fervilham nos canais saturnais
Um show de garças alegres sobrevoam, gritam e pescam
E toda a gente se alegra e silenciosamente pensa
Santos, cidade de todos os encantos
Terra da liberdade, da caridade, como diz o poema és linda demais

Agradecendo a vida, por essa bênção me dar
Olhos que se emocionam salvando um filhote de pássaro
Que, ousado, mais cedo do ninho arriscou voar
Ah! Quanta alegria e magia que meu coração tão ferido e descrente
Por um milagre parece curado e deseja seguir em frente
Energizado pela energia do amor universal novamente a vibrar

O voo da pomba branca é um sinal de sincronia
Que indica de a vida é um presente e que vale a pena ser vivida
Com serenidade e paz dos bons ventos que se renovam
Mostrando que nunca é tarde para recomeçar

A natureza é sábia, basta sentir e observar as lições que traz
Cada mudança de estação, um momento de reflexão e adequação
A alma que se liberta para que o sol volte a brilhar,
Após o descanso das trevas invernais,

Os ventos de setembro, fôlego, flores, vida e ar
O direito de viver a vida e de acreditar
No direito de merecer e tecer bons sonhos e realizar
Em céus de baunilha, o perfume único do mar, em silêncio uma prece a entoar

“Que o velho se torne novamente novo!
Que a renovação, energias positivas, façam nascer um nova, plena e linda vida.
Que seja perfeita como a beleza das flores, abundante como o renascer da vida e perfeita como o canto dos filhos e da mãe terra”.


Simone Dimitrov
Santos, 14 de setembro de 2016.



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