quarta-feira, 21 de setembro de 2016

SERVIDÃO



O ar maduro, a crise da meia-idade, as mudanças físicas, químicas e psíquicas
A minha presença que parece cada vez mais rara, escondo-me
Meus posicionamentos considerados inoportunos,
Indicam que tais condutas não são aceitas, resisto e me entristeço
A bem da verdade, não entendo porque boas ideias e iniciativas
Não agradam, que sabe a explicação seja o sistema obsoleto
Que não absorve  a diversidade, a tentativa de crescer e fazer
Minha fronte ainda preserva alguma jovialidade mas é por uma questão de tempo
O amargor, a desconfiança e a descrença tomam conta,
Tarefas medíocres matam a minha alma e ofendem a minha inteligência
Tudo já não é tão belo, apenas as paisagens e algumas lembranças
O comportamento e temerário, tímido, introvertido e desconfiado
A falta de esperança, futuro e fé, por mais que você se doe, é em vão
Se em algum momento sorrio é por conveniência ou puro nervosismo
A resposta padrão para a pergunta tudo bem é sempre a mesma:
Está, tudo bem! Mas no íntimo, não necessariamente...
Digo sorrindo, na cor amarela, atenção e prudência
Manter as aparências
 
A mágoa se tornou maior que o coração
Um pedaço de músculo sensível e machucado
A inteligência e a iniciativa ignoradas ou reprovadas
Resolveram, por astúcia, se transformem em silêncio
Impertinente, inoportuna, a vontade de crescer e ser
Foram totalmente repreendidas e afogadas

Apesar de ter feito tudo certo, de forma honesta e honrada
A inversão de valores fez com que eu fosse banida do sistema
Na mocidade eu já tive sonhos e planos
Nenhum foi realizado, constatar isso me leva a lágrimas,
Ao ponto que sinto doer o coração que talvez sangre também
Sucumbo à maturidade, queria que terminasse o tempo

Se me perguntares o que eu quero eu não sei
Se me perguntarem com o que eu sonho, eu não tenho mais sonhos
Se me perguntarem quais sãos os meus planos, eles não existem
A única coisa que eu sei, é o que eu não quero fazer
O único direito que gostaria de ter é de poder dizer não
Mas sei que isso é impossível, então eu sigo aguentando
E assim que eu vivo, eu sobrevivo

Anteriormente, mística eu acredita que podia ser macumba, maldição, praga
Karma ou maus atos de outra vida
Mas racionalmente e cética, após tanto pedir e nunca ser atendida
Sei que é um sistema que não me permite pertencer

Renunciei, eu sei, nem espero nada do futuro
Cansei, do não realizar, ao ponto de todas as minhas energias se esgotarem
Tantas foram as dificuldades, os revezes, os enganos
Talvez, se eu pudesse algo escolher além do que eu não posso
Seriam a paz, o silêncio e o exílio
Uma espécie de morte, reservada desta gente, mentiras, egos e poses
Uma espécie de distância de tudo aquilo que é feio e torpe
Distanciamento absoluto daquelas pessoas soberbas que se ofendem com um ato de educação formal, um simples bom dia!
Com, que é essa mulher que ousou me cumprimentar?
Grupos seletos portadores de medalhas e diplomas que a arrogância fez esquecer qualquer traço da virtude da humildade.

O mundo está assim, prepotente, insuportável
Eu não consigo me adequar
Eu não consigo mais interagir
Eu não consigo mais acreditar

As pessoas que viveram no passado não existem mais
Eram corteses, caridosas, educadas, amigas de verdade para uma vida inteira, esta era a norma
O que se torou a humanidade? Isso não são mais pessoas
Que humilham, desprezam, ordenam, ferem, expulsam, levam e trazem, disputam o poder, sem ética, sem compaixão, mentem e solitárias são temidas, não existem mais amigos

Excluem, com o critério da maldade
Te jogam no limbo da podridão sucateada
E nunca há futuro
Nem qualidade de vida
Nem igualdade
Nem amizade
Só promessas, mentiras, ilusões, portas fechadas

Machuca mais uns do que outros
Os Ingênuos e os de bom coração sofrem, quando não ficam doentes, loucos e motivo de chacota. Tudo porque desaprendeu-se colocar-se no lugar do outro.

Lágrimas escorre doídas
De algo que não se pode escapar
O medo de sofrer novamente
Com toda essa perversidade
Eis meu dilema!

O que me resta? Eu não sei!
Se tenho escolha? Eu não sei!
Podia dormir essa noite e um milagre acontecer, o mundo se inverter para o bem.

Eu tenho medo, que eu possa ser forte
Diante da impotência, que eu tenha que eu me resigne
Que eu não chore, mesmo chorando por dentro
Apenas sei que tenho que suportar
Apenas gostaria de ter sorte e ter paz

Se tenho algum anjo, se ele existe,
Que esteja comigo em todos os momentos
Em que eu for sempre impotente.

Simone Dimitrov
Santos, 21 de setembro de 2016


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