quarta-feira, 21 de setembro de 2016

AOS 16 (1988)


Alguns momentos, na vida são inesquecíveis, Apesar de tantos anos passados, ficam na memória inalterados

As primeiras aulas de iniciação e prazer
São assim, as escondidas
Aquele menino lindo, que faz tremer a rua quando ele passa,
Diferente ainda das meninas, mais imaturo e desinteressado

Naquela noite, num belo jardim secreto,
Arrastei aquele menino e lhe disse:
Vem aqui, vem comigo, vamos deitar aqui
No meio da relva e da terra
A noite tão linda, não havia medo, eram outros tempos
Abraços e beijos, nos despimos da vergonha
Da minha parte era paixão, meninas são mais boba
Da parte dele, alucinado, chegara a hora, tesão e vontade, finalmente viraria homem

Ah como é lindo, o amor pueril, inocente
Inesquecível, intenso, os corpos perfeitos,
Dois anjos nus, belos, nada passava pela cabeça a não ser realizar o desejo

As seivas mais molhadas do que em qualquer época, ele conheceu e tocou
Seios pequeninos, duros e róseos, ele beijou e acariciou
Menina Lolita, intensa e fogosa, nua, ele admirou
Menino agora vem conhecer a flor secreta e ser um homem

A vontade de amar e o escasso tempo
No escuro, deitados no mato, quem se importa com as duas bundas sujas
Sujos e felizes, rimos sem saber que aquele seria um momento a eternizar

A noite sem lua impediu os corpos unidos
Se escondeu de vergonha diante de tanta beleza
Um do outro, dos dois juntos em nosso louco movimento
Pálida luz suave na rua eu podia enxergar
Um anjo de pele branca, cabelos castanhos e cacheados
O que pensava em sua cabeça de garoto?
Estou comendo uma "minha" pela primeira vez.
Talvez hoje mudasse o termo para "quando amei pela primeira vez"

Provando o gosto e o gozo da mais bela e fresca flor
Corri atrás dele, apesar de sua imaturidade, juventude, menino tolo
Declarei minha paixão, enviei cartas de amor e poemas
Mandei-lhe minhas fotos mais lindas.
Surpresa recebi um último e indecoroso convite:
Vem aqui em casa, estou sozinho!
"Love me twice and go away"

As meninas mulheres, da mesma idade
Assustam os meninos que ainda não tem maturidade
São apenas garotos, pensando na turma, nos jogos, skate, surf

Preferem as revistas, videos, os banheiros
Até ousa, uma hora de volúpia no canto escuro do quintal
Medo da mãe, seu menino é o seu bebê
Medo ser como o pai, não é ainda um homem, apesar de poder se tornar pai.

E assim, anjo sumistes de mim
Através dos anos, do mundo, da vida
Mas creio que não esquecesse a sua primeira vez
Envelhecesse, sei lá que rumo tomaste na vida
Se guardara num canto secreto, a foto da menina linda e apaixonada
Daquela que lhe dissera te amo aos dezesseis anos
E você não disseste nada

Assim eu quisera uma noite,
Voltasse de novo no tempo
Quando volúpia faz sujar até a bunda de terra
Poder amar-te como mulher e não como menina
Poder amar-me como homem e não como mocinha desvairada
Poder amar com inocência, pureza, poder ser sua eterna virgem e princesa.

Simone Dimitrov
Santos, 21 de setembro de 2016

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