OBSERVANDO
Eu tenho andando pelas ruas com olhos vagos
Distraídos, talvez efeito de um ou outro remédio
Desses que se usam, hoje em dia, para suportar um pouco a vida
Mas ao mesmo tempo que vagueiam, observo as pessoas, as ruas, os movimentos com uma lucidez tão exata, qualidade rara, que talvez poucos desenvolvam
Todos possuem e usam e são possuídos e usados
Pessoas, afetos, desafetos, sorte, sucesso
Problemas , doenças, aparências, seria impossível descrever tudo que noto e sinto seja individual ou coletivamente.
Não se sabe ao certo o que é mentira e verdade em cada rosto que por mim passa
Se é um rosto inalterado ou completamente modificado pela tecnologia, medicina, estética...
Apenas a natureza permanece a mesma, as árvores, os pássaros
As flores, as garças, os velhos canais, peixes e as muretas de Santos que teve quem tivesse a ousadia de recomendar o destombamento de um símbolo no velho discurso: tudo pelo progresso, pelo dinheiro e pelos votos!
Para mim, eu ando a esmo, eu sou a mera observadora desconhecida de tudo
Vejo como nascem, como crescem, como vivem, como trabalham
Quem ganha, quem perde, quem ama quem odeia
Quem é cercado de gente falsa e verdadeira
Quem é limpo, quem é sujo
Quem são os raros realmente corretos e os garantiram sua eternidade no inferno.
E que aquele que é absolutamente só
E os que sofrem toda espécie de injustiça e perseguição.
*******************************************************
O TEMPO
Os dias são os mesmos
O sol nasce e se põe
As ondas eternamente vem e vão
Os anos passam
Os moços se torna maduros, depois envelhecem
E eu assisto a tudo isso muda
Como um expectadora escondida ao lado da cortina de veludo vermelho
Esperando o último ato acabar
E os aplausos
Ou as vaias
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O VAZIO
Queria sentir, me emocionar, sorrir ou chorar
Mas tem sido cada vez mais aquém de todas as possibilidades do que ainda há de humano em mim
Não há mais afeição e mas também não há desapreço
Pois se há, a única alternativa é virar a página para manter a paz
Há em mim um gosto de nada
Como se nada fosse palatável
Não sei dizer em que momento me perdi
Nem quando perdi o gosto de ser e estar
Ou se sempre estive perdida mas estranhamente entorpecida
Por alguma ilusão sonhada e desejada
Ou por alguma ilusão convencida por alguma mentira acreditada
E eu acreditei tanto
E não acredito mais, nem em milagres.
Não se trata de desesperança
De perdas ou de não realizações
De tudo ter sido sempre adaptações
De tudo ser, na verdade, como se pode ser
Entre viver e sobreviver, o velho dito popular disse que a gente vai levando
E não me enganem com aparências!
Todos, os humanos são assim!
Mas poucos admitem.
Hombridade, coisa do passado.
Distraídos, talvez efeito de um ou outro remédio
Desses que se usam, hoje em dia, para suportar um pouco a vida
Mas ao mesmo tempo que vagueiam, observo as pessoas, as ruas, os movimentos com uma lucidez tão exata, qualidade rara, que talvez poucos desenvolvam
Todos possuem e usam e são possuídos e usados
Pessoas, afetos, desafetos, sorte, sucesso
Problemas , doenças, aparências, seria impossível descrever tudo que noto e sinto seja individual ou coletivamente.
Não se sabe ao certo o que é mentira e verdade em cada rosto que por mim passa
Se é um rosto inalterado ou completamente modificado pela tecnologia, medicina, estética...
Apenas a natureza permanece a mesma, as árvores, os pássaros
As flores, as garças, os velhos canais, peixes e as muretas de Santos que teve quem tivesse a ousadia de recomendar o destombamento de um símbolo no velho discurso: tudo pelo progresso, pelo dinheiro e pelos votos!
Para mim, eu ando a esmo, eu sou a mera observadora desconhecida de tudo
Vejo como nascem, como crescem, como vivem, como trabalham
Quem ganha, quem perde, quem ama quem odeia
Quem é cercado de gente falsa e verdadeira
Quem é limpo, quem é sujo
Quem são os raros realmente corretos e os garantiram sua eternidade no inferno.
E que aquele que é absolutamente só
E os que sofrem toda espécie de injustiça e perseguição.
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O TEMPO
Os dias são os mesmos
O sol nasce e se põe
As ondas eternamente vem e vão
Os anos passam
Os moços se torna maduros, depois envelhecem
E eu assisto a tudo isso muda
Como um expectadora escondida ao lado da cortina de veludo vermelho
Esperando o último ato acabar
E os aplausos
Ou as vaias
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O VAZIO
Queria sentir, me emocionar, sorrir ou chorar
Mas tem sido cada vez mais aquém de todas as possibilidades do que ainda há de humano em mim
Não há mais afeição e mas também não há desapreço
Pois se há, a única alternativa é virar a página para manter a paz
Há em mim um gosto de nada
Como se nada fosse palatável
Não sei dizer em que momento me perdi
Nem quando perdi o gosto de ser e estar
Ou se sempre estive perdida mas estranhamente entorpecida
Por alguma ilusão sonhada e desejada
Ou por alguma ilusão convencida por alguma mentira acreditada
E eu acreditei tanto
E não acredito mais, nem em milagres.
Não se trata de desesperança
De perdas ou de não realizações
De tudo ter sido sempre adaptações
De tudo ser, na verdade, como se pode ser
Entre viver e sobreviver, o velho dito popular disse que a gente vai levando
E não me enganem com aparências!
Todos, os humanos são assim!
Mas poucos admitem.
Hombridade, coisa do passado.
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AMIGOS
AMIGOS
Amigos, eu tive um ou outro
Que me faltariam dedos para completar duas mãos
E eu sempre fui amiga. Daquelas que defendem como própria cria
Agora não posso dizer o mesmo sobre os que fazem parte de rol seletos e impenetráveis.
Os amigos que a distância e a mudança na vida levou, ainda estão em algum lugar do passado, guardados a sete chaves e que sempre permanecem no dia em que a juventude dos corações faziam da lealdade lei, o apreço sincero, ingênuo e puro, no coração permanecem.
Eu sou amiga, leal, sincera e honrada como era-se a moda antiga
Mas não posso afirmar se me estimam, a mesma maneira
Não há em mim a futilidade e a aparência costumaz
E sim uma profundidade de alma e extravagância
Silêncio e isolação.
Creio ter fechado o círculo
A culpa foi da maledicência
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A CRISE DA MEIA IDADE
Tudo diferente na meia idade
O rosto, o cabelo rareando, o brilho nos olhos indicando em porcentagem o grau de felicidade ou de fracasso
E a teimosia em acreditar no entusiasmo, especialmente o alheio
Um desânimo difícil de ser disfarçado
O peso dos anos traz uma dor estranha
Mas ainda, uma dor mediana num nível cortante de avaliação
Do ser ou não ser
Do fui o que eu quis ser
Se não fui e agora?
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VELHICE
Mas nada disso deve-se comparar aquele que espera o final
Esperar a morte pela idade
Quando ela virá?
Isso sim deve ser muito doloroso, em todos os sentidos
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A ALMA
Me dei de corpo e alma
Depois tive a ambos esterilizados
Por inconsequência, por escolhas, por dever
Nem o corpo e nem a alma eram mais minhas
Sem corpo e sem alma, porém dever cumprido
Mas refletindo, é algo que se cede, não se pode cobrar
Nem gemer, nem chorar, nem reclamar
A missão era dar e eu me dei
Não importando se o mais profundo e importante gesto de se doar
É percebido ou não
Nem se a solidão, o silêncio e a dor
Jogou-me em trevas e lágrimas
Para que houvesse luz e riso a quem isso foi sacrificado.
A dor é minha e também o suportar
Simone Dimitrov
Santos, 28 de setembro de 2016.
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