E de repente, passou correndo um ser totalmente despelado
Com um fio dental preto e um tapa sexo
Era o começo da minha vida adulta, na verdade, eu tinha dezessete na época
Abismada com aquela aparição exótica e cadavérica
Uma música estranha, repleta de grunhidos, gemidos, sintetizadores
O ser, ente ou sei lá o que
Corria por todos os lados, na pista, invadindo os banheiros
O corpo esquálido, a bunda mirrada
O povo bradando sem parar: Evoé! Que Arte!
E eu rindo, em silêncio e pensando mas que porra é essa?
Alguém me disse, isso é uma Perfomance! Que máximo! Ducaralho!
Nem lembro como começou, nem como terminou
Só vi passar por mim o que depois descobri ser performance
Algo inovador e chocante, havia beleza no horror
No começo dos anos de 1990, algo bem restrito ao inferninhos undegrounds
Que só que quem viveu a época sabe como é e que não volta mais
"Conhecer o purgatório e amanhecer no inferno".
Só sei que nunca esqueci, aquele ser fantasmagórico, praticamente nu
Correndo de um lado para o outro no porão negro balançando os braços
Dançando, babando, mijando e vomitando
Tipo um Ney Matogrosso gótico e bizarro
Se tivesse comido ratos, poderia dizer que tinha conhecido o próprio Nosferatu
Milhares de anos depois, a primeira performance é assim, a gente nunca esquece
Mesmo com litros de Muro de Berlin e 3 reich, (que a gente nunca esquece também) e já nas altas horas da noite, falando e fazendo merda.
Um excitante Império dos Sentidos rolando no vídeo cassete, era de praxe.
Apesar do frustrante pinticulo do ator (fodedor) principal...
Mas davámos sorte, éramos jovens e tudo, no final da noite, era compensando.
Só de ver as mãos enormes do Nosfera, esquecia-se de qualquer pinticulo.
O que valia mesmo era a irmandande, as risadas e a pena que dava dos amigos que em coma alcoólico, só iam despertar lá pelo escaldante sol do meio dia com a roupa negra toda vomitada.
Mas a vida é assim, a noite é feita de cosquinhas, altos e baixos.
As histórias de terror que contávamos bebendo vinho sangue de boi nas adjacências. A linda decoração feita com as máscaras venezianas góticas e enfeitiçadas pela bruxa Denise
Que o Vilela, até hoje, diz morrer de medo.
Destaque para o inesquecível mural que retratava, perfeitamente, a contracapa do livro de Edgar Allan Poe. Nunca esqueci. Jamais esquecerei o inesquecível.
Ah! como eu queria uma máscara veneziana embruxada pela Denise
Quem sabe, teria eu o poder, de causar medo e respeito.
Nessa gente que não respeitam, nem entendem um mundo diferente e uma gente diferente.
Naquela época, quando éramos jovens, a gente acreditava tão piamente em uma coisa que aquele símbolo passa a se tornar imbuído de poder.
Realmente, havia algo de estranho naquelas máscaras feitas pela Denise. rsrs
E assim como dizia o falecido ídolo Russo,
Da geração não tão coca-cola assim que misturava pinga mesmo, nada de frescura de absolut porque grana era difícil mesmo e a gente sabia se divertir e compartilhar as coisas de verdade.
Tudo hoje está diferente. Por isso tanta saudade e nostalgia.
Éramos criativos, éramos formadores de opinião, éramos rebeldes e maravilhosos.
Nós não éramos e nem seremos mesmo daqui!
Simone Dimitrov
Lua, 19 de setembro de 2016.
Com um fio dental preto e um tapa sexo
Era o começo da minha vida adulta, na verdade, eu tinha dezessete na época
Abismada com aquela aparição exótica e cadavérica
Uma música estranha, repleta de grunhidos, gemidos, sintetizadores
O ser, ente ou sei lá o que
Corria por todos os lados, na pista, invadindo os banheiros
O corpo esquálido, a bunda mirrada
O povo bradando sem parar: Evoé! Que Arte!
E eu rindo, em silêncio e pensando mas que porra é essa?
Alguém me disse, isso é uma Perfomance! Que máximo! Ducaralho!
Nem lembro como começou, nem como terminou
Só vi passar por mim o que depois descobri ser performance
Algo inovador e chocante, havia beleza no horror
No começo dos anos de 1990, algo bem restrito ao inferninhos undegrounds
Que só que quem viveu a época sabe como é e que não volta mais
"Conhecer o purgatório e amanhecer no inferno".
Só sei que nunca esqueci, aquele ser fantasmagórico, praticamente nu
Correndo de um lado para o outro no porão negro balançando os braços
Dançando, babando, mijando e vomitando
Tipo um Ney Matogrosso gótico e bizarro
Se tivesse comido ratos, poderia dizer que tinha conhecido o próprio Nosferatu
Milhares de anos depois, a primeira performance é assim, a gente nunca esquece
Mesmo com litros de Muro de Berlin e 3 reich, (que a gente nunca esquece também) e já nas altas horas da noite, falando e fazendo merda.
Um excitante Império dos Sentidos rolando no vídeo cassete, era de praxe.
Apesar do frustrante pinticulo do ator (fodedor) principal...
Mas davámos sorte, éramos jovens e tudo, no final da noite, era compensando.
Só de ver as mãos enormes do Nosfera, esquecia-se de qualquer pinticulo.
O que valia mesmo era a irmandande, as risadas e a pena que dava dos amigos que em coma alcoólico, só iam despertar lá pelo escaldante sol do meio dia com a roupa negra toda vomitada.
Mas a vida é assim, a noite é feita de cosquinhas, altos e baixos.
As histórias de terror que contávamos bebendo vinho sangue de boi nas adjacências. A linda decoração feita com as máscaras venezianas góticas e enfeitiçadas pela bruxa Denise
Que o Vilela, até hoje, diz morrer de medo.
Destaque para o inesquecível mural que retratava, perfeitamente, a contracapa do livro de Edgar Allan Poe. Nunca esqueci. Jamais esquecerei o inesquecível.
Ah! como eu queria uma máscara veneziana embruxada pela Denise
Quem sabe, teria eu o poder, de causar medo e respeito.
Nessa gente que não respeitam, nem entendem um mundo diferente e uma gente diferente.
Naquela época, quando éramos jovens, a gente acreditava tão piamente em uma coisa que aquele símbolo passa a se tornar imbuído de poder.
Realmente, havia algo de estranho naquelas máscaras feitas pela Denise. rsrs
E assim como dizia o falecido ídolo Russo,
Da geração não tão coca-cola assim que misturava pinga mesmo, nada de frescura de absolut porque grana era difícil mesmo e a gente sabia se divertir e compartilhar as coisas de verdade.
Tudo hoje está diferente. Por isso tanta saudade e nostalgia.
Éramos criativos, éramos formadores de opinião, éramos rebeldes e maravilhosos.
Nós não éramos e nem seremos mesmo daqui!
Simone Dimitrov
Lua, 19 de setembro de 2016.

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